Nos EUA, a maior greve prisional da história – e a imprensa não te contou

por Pedro Marin | Revista Opera*

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A imprensa não te disse, mas nas últimas duas semanas milhares de prisioneiros nos EUA têm se mobilizado numa greve coordenada contra o que chamam de “trabalho escravo moderno”.

Iniciada no último dia 9, no aniversário da Rebelião de Attica (quando, em 1971, cerca de mil presos se mobilizaram por melhores condições de vida e direitos políticos), a maior greve prisional da história do país foi organizada por meses por meio de celulares, páginas de internet e contatos fora das prisões.

“Em uma só voz, que surge das solitárias, que ecoa nos dormitórios e celas da Virginia ao Oregon, nós, prisioneiros nos Estados Unidos, pedimos o fim da escravidão em 2016”, diz um comunicado, se referindo à obrigatoriedade de trabalho em prisões norte-americanas. “Prisioneiros são forçados a trabalhar por pouco ou nenhum pagamento. Isso é escravidão. A 13ª emenda à constituição dos EUA mantém uma exceção legal para a escravidão contínua nas prisões norte-americanas.”

“Nem escravidão ou servidão involuntária, exceto nos casos de punição a crime no qual o preso deve ter sido julgado, deve existir nos EUA.” – 13ª Emenda à Constituição dos EUA

 

A greve já conta a participação de presos de 20 prisões americanas, em 11 estados diferentes. Há, no entanto, informações de prisioneiros de mais 40 prisões que têm se mobilizado para se unir à greve.

“Provavelmente há 20 mil presos em greve agora, pelo menos, o que é a maior greve prisional na história, mas as informações são realmente imprecisas e irregulares”, disse Ben Turk, do Comitê Organizador de Trabalhadores Encarcerados.

Além do trabalho forçado, os presos protestam contra o sistema de liberdade condicional, negligência médica, superlotação e contra a falta de serviços educacionais.

No país com a maior população prisional do mundo, onde a prisão se tornou indústria, no entanto, a maior greve prisional da história não é notícia. Somente veículos pequenos ou independentes têm dado atenção ao caso.

No Brasil, onde cerca de 40% da população prisional ainda não foi julgada, e onde avançam projetos pela privatização das prisões, a situação é ainda pior; nenhum veículo noticiou o fato até agora.

*Com informações de Truthout, The Intercept e Wired