Desde a prisão do ex-voluntário brasileiro na Ucrânia, Rafael Lusvarghi, muitas pessoas, ao olhar a situação atual do país e de seu serviço de segurança, já falam em tortura. De fato, em maio deste ano o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) barrou uma investigação da ONU em possíveis locais de tortura sob seu controle. A comissão falou de “sérias e numerosas alegações de tortura” e centros de detenção ilegal. No entanto, não podemos deixar de trazer uma reflexão política um pouco mais profunda no momento em que movimentos diversos e opositores do governo ucraniano alardeiam o uso do termo “fascismo” para descrever a situação atual.

Recomendo que leiam as notas no final.

Em abril de 2015 ocorreu na Ucrânia uma onda de assassinatos de jornalistas de oposição, “lobbyistas pro-russos” segundo a Agência Reuters. Sergei Sukhobok foi assassinado em Kiev, mesma cidade na qual Oleg Ivanovich Kalashnikov, ex-deputado do Partido das Regiões e jornalista, foi executado em seu apartamento na noite seguinte, dias após denunciar “ameaças de morte por parte de grupos de extrema direita” e de denunciar as mortes de políticos do antigo Partido das Regiões como assassinatos¹ ²; no mesmo dia a editora-chefe do jornal “Netishensky Vestnik”, Olga Moroz, também foi assassinada em sua própria casa. Por último, foi assassinado o famoso escritor e jornalista Oleg Buzina – os assassinos realizaram os disparos de um carro em movimento. Buzina era também apresentador de televisão editor-em-chefe do jornal “Segodnya”, tendo que deixar seu posto em março por conta da censura.

O TASS descreve os assassinatos como tendo “clássico estilo banderista”. Os jornalistas haviam aparecido dias antes em no site do grupo paramilitar “Protetor da Paz” (Myrotvorets), compilados em uma lista de “inimigos do Estado” que continham uma série de informações pessoais como endereços. O investigador-chefe da agência de segurança estatal ucraniana (SBU), Vasily Vovk, declarou na televisão que opositores, “ucranofóbos”, deveriam “no mínimo reduzir sua retórica, senão fecharem suas bocas”, e que se quisessem continuar vivos era melhor não ir diretamente contra a “ucranidade”; arrematando: “se vocês não me escutarem, nada de bom virá”, enfatizando que dizia isso como “chefe do centro investigativo do SBU”.

Semanas antes, no início do mês, o chefe-geral do SBU, Valentin Nalyvaichenko (depois seria substituído por Vasyl Hrytsak), declarou que a estrutura do serviço de segurança seria reorganizada de acordo com as agências da OUN-UPA (Organização dos Nacionalistas Ucranianos – Exército Insurgente Ucraniano), um grupo político paramilitar nacionalista que atuou na Polônia, na Ucrânia e na URSS nos anos 30, 40 e 50.

A Organização dos Nacionalistas Ucranianos era um grupo radical que se inspirava no fascismo italiano em maior parte e no nazismo alemão em menor medida. Os nacionalistas ucranianos acreditavam que a derrota do movimento de independência em 1917 era produto do liberalismo e que o fascismo era um bom modelo para se unificar a nação e limpa-la de elementos “exógenos” (poloneses, judeus, russos) através de ação enérgica, violenta, e o estabelecimento de uma ditadura. Seu principal ideólogo e fundador, Dmytro Dontsov, através dessa rationale desenvolveu um “nacionalismo integral”, uma forma de nacionalismo étnico-exclusivista. Nos anos 30, surgiu um racha na organização, liderado pelo jovem ativista Stepan Bandera, que levou consigo os outros militantes jovens da Galícia e os mais radicais, os principais terroristas do grupo, superando os níveis de violência da organização original. O racha de Bandera passou a ser conhecido como OUN-B, já a ala remanescente ficou conhecida como OUN-M.

São famosos principalmente por sua colaboração com o exército nazista alemão e pela realização de progroms contra judeus e poloneses, bem como uma campanha de assassinatos em massa contra partisans russos e ucranianos. Ambos grupos participaram ativamente do Progrom de Lviv e do massacre dos professores da cidade que leva o mesmo nome. A OUN-M se beneficiou de um desentendimento de Bandera com os alemães que culminou na sua prisão, o que não impediu que seus partidários continuassem colaborando com os alemães ao ponto de formar duas unidades da SS (Nacthigall e Roland).

Em Volyn, banderistas fundaram o Exército Insurrecionário Ucraniano (UPA) e aderiram às forças policiais da ocupação alemã, se aproveitando de sua condição para lucrar com extorsões, massacres e expropriações dirigidos contra a população judaica. A resistência à ocupação era conduzida primariamente por partisans comunistas. Em 1943 os banderistas da UPA desertariam as forças policiais alemãs com suas armas e se dirigiram para a zona rural de Volyn, onde combateriam os partisans e manteriam uma política de baixo conflito ou “defensiva” em relação aos alemães (a questão é controversa pois houveram casos de colaboração e cooperação ativa até 1944, e mesmo na posição oficial mais “anti-alemã” os alemães eram considerados inimigos secundários em relação aos comunistas).

Foi a partir desse período que se destacaram pela brutalidade numa campanha de limpeza étnica anti-polonesa nas regiões da Galícia e Volyn (70 mil poloneses mortos na região de Volyn, 130 mil na região da Galícia Oriental). O genocídio foi mais grave em Volyn, onde os poloneses “sequer” haviam a opção de abandonar as suas casas e eram assassinados muitas vezes de formas brutais (ex: arrancar os olhos).

Roman Shukhevych, dirigente da OUN e Comandante Supremo da UPA, foi colaborador ativo dos alemães, foi comandante na SS Natchigall e no 201º Batalhão Schutzmannschaft, quando atuou em massacres de vilarejos em Belarus.

Bandera foi libertado pelos alemães para combater os soviéticos em 1944, quando a UPA passou a conduzir sabotagens contra os soviéticos antes mesmo da retirada alemã; a campanha anti-soviética e anti-polonesa após 45 foi marcada principalmente por táticas terroristas que não poupavam civis com o uso brutalidades chocantes, como pregar lideranças de sovietes e fazendas coletivas em árvores.

De volta ao presente, é esse que grupo que Valentin Nalyvaichenko tem por modelo, “não temos que inventar nada de novo – temos que nos basear nas tradições e abordagens serviço de segurança da UPA dos anos 30 [sic] aos 50”. O chefe do SBU fala da importância da “educação patriótica” nesse modelo e explica que “quando eu estava na oposição, nós estudávamos essas tradições e as tradições de Lebed e Arsenych-Berezovsky, que criaram e manejaram o Serviço de Segurança da OUN”.

Mykola Lebed, citado como modelo, foi o primeiro chefe do Sluzhba Bezpeky, serviço de segurança da OUN diretamente envolvido na limpeza étnica de poloneses e responsável pela perseguição de concorrentes, dissidentes internos e colaboradores soviéticos (isso mesmo em um período anterior a chegada dos soviéticos). A agência aplicava punições coletivas contra familiares, com um caso notório onde arrancaram os olhos de duas famílias inteiras na frente de um vilarejo. Também aplicava medidas disciplinares internas como o fuzilamento de um comandante de destacamento que atacou alemães num período que tal ato estava proibido pelo movimento. Ucranianos que em determinados contextos se recusassem a aderir à UPA também eram executados. Lebed foi treinado em inteligência pelos alemães e foi chefe de uma escola de espionagem e sabotagem da Abwehr (inteligência militar alemã) em Zakopane. Foi descrito pela contra-inteligência americana como um sádico e um colaboracionista notável. Ironicamente, Lebed se tornaria um quadro da CIA americana na Guerra Fria. Arsenych-Berezovsky foi o substituto de Lebed, também treinado pelos alemães.

O chefe do SBU, antes de estar na oposição estudando os métodos de colaboradores nazistas, já ocupava esse cargo entre 2006 e 2010 na presidência de Yuschenko e já naquele tempo promovia a imagem dos ícones fascistas. Isso não é impressionante se considerarmos que Yuschenko, produto da “Revolução Laranja”, tinha ele mesmo um passado no nacionalismo ucraniano e se esforçava por reabilitar os combatentes dessa tradição ao mesmo tempo que engrossava o discurso anti-soviético (por exemplo, causando tensões ao promover a ideia de que ocorreu um genocídio ucraniano chamado de “Holodomor” na Ucrânia oriental no inicio dos anos 30).

Nalyvaichenko não é muito tímido em relação às suas visões e à colaboração com grupos neofascistas, como fez com o grupo paramilitar “Tryzub Stepan Bandera”. Este grupo seria um dos núcleos principais da organização neofascista surgida no Maidan, Pravy Sektor, compartilhando a mesma figura de líder, Dmitro Yarosh. Neste video de 2012 Nalyvaichenko aparece ao lado de Yarosh falando em um acampamento da organização Tryzub:

Yarosh também foi consultor parlamentar deste chefe do SBU em 2013-14.

O posicionamento do oficial não é impressionante do ponto de vista do processo político iniciado com a “revolução ucraniana” chamada de Euromaidan e famosa pela sua representação em um documentário do Netflix. A dita revolução contou com a participação decisiva de grupos neofascistas como o Pravy Sektor e glorificava figuras como Roman Shukhevych e Stepan Bandera (o que já foi o começo do problema para grande parte da população do leste do país e todas identidades russas, russófilas ou pós-soviéticas³).

Não é impressionante que as reformas no serviço de segurança acompanhem o processo e não é absurdo se perguntar: ao se modelar na UPA, o SBU não se tornou mais uma espécie de organização neofascista? Já vimos na Ucrânia a conversão de um grupo ferozmente neonazista em batalhão estatal (Batalhão Azov), mas não vemos agora a transformação de uma agência estatal em bando neofascista?

 


¹Kalashnikov postou em sua página do Facebook um mês antes de morrer, segundo o The Saker:

“O terror sem precedentes desencadeado pela junta atualmente contra qualquer tipo de dissidência na Ucrânia tornou-se uma realidade cotidiana.

Por acaso me deparei com o meu trabalho em uma transmissão ao vivo do canal de TV “Kiev” de dezembro de 2013… Foi o dia em que as primeiras barricadas nos bairros do governo da capital subiram e os meus colegas e eu quase precisamos atacar a retaguarda dos nossos adversários, a fim de conseguir entrar no estúdio da rua Kreschchatyk. Conseguindo entrar no ar após a manifestação “Preservar a Ucrânia” no Parque Marinisky, eu decidi quebrar com a campanha habitual como candidato a deputado da Ucrânia e simplesmente compartilhar com o povo de Kiev os meus pensamentos e avisos que já naquela época inundavam meu coração de dor.

Eu não quero ser o profeta em sua própria terra, mas todos os meus avisos de dezembro 2013 já se tornaram a realidade da existência em 2015… Assim, em tempos passados, descobri em mim mesmo algumas qualidades prescientes, que infelizmente não puderam evitar uma guerra fratricida no meu país…

Por mais de um ano, estive em Kiev, que é ocupada pelo ódio… A junta não só desencadeou uma guerra fratricida sangrenta, mas se moveu para a destruição de todos aqueles com pontos de vista diferentes. Uma série de inexplicáveis ‘suicídios’ de pessoas fortes e corajosas, meus amigos e colegas de trabalho no partido, é vista pelo regime como a inevitabilidade da punição. Nazismo, em essência, tornou-se a religião do Estado e seus adeptos acreditam na sua impunidade, apagando cidades e aldeias do seu país da face da terra e destruindo a população pacífica, no processo promovendo sutilmente as categorias de ÜBERMENSCH… Esmagar uma menina de oito anos de idade sob rolo compressor de um veículo militar em uma cidade pacífica – isto não é um crime de guerra? Pilhagem descarada do cidadãos pacíficos, saques, violência e ameaças abertas do uso de armas contra os manifestantes – isso não é tudo uma consequência do golpe anticonstitucional e apreensão do poder pelas armas em minha amada Ucrânia natal?

Eu não estou procurando desculpas e eu admito a minha culpa, bem como a culpa de milhões de pessoas que esperaram em silêncio e esperavam que isso não as afetaria, que isso tudo ia passar por eles e que nada iria mudar o status da sua cidadania…

O tempo chegou para cada cidadão ucraniano são pensar sobre que tipo de país que queremos passar aos nossos filhos e netos…

Hoje torna-se óbvio e absolutamente claro que somente a preservação da auto-identidade com base na CONQUISTA de nosso povo nos anos da GRANDE GUERRA PATRIÓTICA vai permitir-nos para limpar a nossa terra sagrada de sujeira…

PS: A pressão psicológica constante e intimidação brutal deste ano durante a ocupação não me quebraram e não mudaram a minha visão sobre a vida … Os nazistas dos dias atuais não podem me intimidar – Um filho de VETERANOS – com as suas ameaças abertas da minha destruição física …

Eu acredito na nossa vitória sobre a peste [camisa] marrom! Acredito que vamos salvar a Ucrânia!

Vamos servir a nossa pátria JUNTOS!”

² Os supostos suicídios que são acusados de na verdade ser assassinatos também ocorreram num curto período de tempo. O prefeito de Melitopol (oblast da Zarapozhia), Sergei Walter, estava suspenso de seu trabalho e foi encontrado enforcado numa escada que levava até a garagem de sua casa, no dia 25 de Fevereiro, deixando duas crianças pequenas. Residentes se convenceram que Walter se matou por causa dos processos que sofria há dois anos (início do Maidan) e incluia 13 acusações (incluindo extorsão e formação de quadrilha), no entanto seu advogado afirma que Walter estava com bom espírito e dizia que iria lutar até o fim; um dia depois o vice-chefe do departamento de polícia da cidade de Melitopol, Aleksander Bordug, foi encontrado morto. Bordug não estava implicado nos processos contra o antigo prefeito mas tinha um grande envolvimento no controle das manifestações contra e a favor do Maidan, “pro russas” e nacionalistas, servindo como mediador em mesas de conversação que estabeleceu entre cidadãos “pro russos” e apoiadores do Partido Svoboda (extrema direita, neonazi) – era considerado um conciliador e sabotador pelos nacionalistas.  Dois dias depois, Mikhail Chechetov, ex deputado do Partido das Regiões e acadêmico (mais de 500 publicações científicas, economia), teria se jogado do 17º andar de seu apartamento em Kiev.  Chechetov era um alvo especial do novo procurador geral ligado a Poroshenko e pelo partido deste mesmo presidente, respondendo na justiça por prevaricação, manipulação de votos no parlamento e abuso de autoridade – chegou a pagar com ajuda de amigos um valor bem alto de fiança, cinco milhões de gryvnas ou 170 mil dólares. Uma das acusações estava relacionada com seu envolvimento na lei anti-protesto que surgiu no Maidan, chamada de “draconiana” apesar de não diferir muito de legislações europeias e não ser mais rígida que a lei canadense, por exemplo (ironicamente vários de seus perseguidores no parlamento haviam aprovado a mesma lei um ano antes). As atuais leis contra o separatismo são ainda mais rígidas na restrição de manifestações e nas punições em caso de violação. Foi encontrada breve nota de suicidio. Mais tarde e dias antes da onda de assassinatos descrita no início do artigo, no dia 9 de março Stanislav Melnik, ex deputado do Partido das Regiões, teria atirado na cabeça com um rifle de caça em uma vila da Oblast de Kiev.  Aleksandr Peklushenko era o antigo governador da administração regional da Zarapozhia (leste do país, onde os governadores foram arbitrariamente trocados por Kiev após o Maidan e isso foi um dos fatores que iniciou a tensão) além de deputado do Partido das Regiões, teria cometido suicidio com um arma de fogo na vila de Solnechny. Peklushenko estava respondendo desde setembro do ano anterior a um processo pela organização de “distúrbios em massa”, em uma das últimas sessões pôde questionar as testemunhas de acusação. Voltando para janeiro, o oficial público ligado ao sistema de transportes Nikolai Sergienko teria se matado com um tiro no dia 25, ele era um conhecido apoiador do ex-presidente Yanukovich e foi demitido pelo governo que tomou o poder no Maidan. Outro conhecido apoiador de Yanukovich, Aleksei Kolesnik, ex presidente do conselho regional de Karkhov (leste do país) e deputado, teria se enforcado no dia 29. No ano anterior, no dia 27 de agosto, Valentina Semenyuk-Samsonenko, ex chefe do fundo de propriedade estatal ucraniano, foi encontrada próxima de Kiev com um tiro de espingarda nas costas da cabeça. Anteriormente ela já havia sido atacada por um bando de nacionalista de homens mascarados com camuflagem militar. As autoridades pintaram um complexo cenário para alegar que foi um suicido – Valentina teria apoiado a arma contra a parte de trás de sua cabeça no chão e ativado o gatilho de costas, ajoelhada no chão. Familiares duvidam da história por conhecer Valentina e alegam que além de tudo era religiosamente muito devota da fé ortodoxa. Um caso interessante é que Valentina Semenyuk foi uma feroz opositora da privatização de um dos maiores complexos metalúrgicos do país, a Krivorozhstal, que primeiro foi privatizada pelo já citado Chechetov para dois oligarcas ucranianos, que foi revertida por Yulia Timoshenko (política de direita pro ocidental, envolvida no Maidan) que vendeu novamente o complexo para a Lakshim Mittal, um dos maiores conglomerados mundiais do ramo – Semenyuk lutou pela reversão da venda pois a Mittal não respeitava as condições do contrato, mais precisamente o pagamento de benefícios sociais aos empregados e a não-realização de novos investimentos. De qualquer maneira, a tecnocrata era contra a privatização de qualquer maneira por considerar o complexo estratégico e necessário para a segurança social de milhares de trabalhadores

Ainda é interessante salientar que em novembro de 2014 Aleksandr Vladimirovich Kuchinsky foi assassinado a facadas junto de sua esposa em sua casa próxima de Slavyansk (um dos berços da rebelião armada contra o Maidan). Era jornalista investigativo e Editor Chefe do jornal de Donetsk “Kriminal-Express”, e autor livros sobre extorsão (máfia) e assassinos de aluguel de em Donestk, conhecido por suas denúncias contra os vínculos do mundo criminal com o mundo dos negócios.

Em agosto deste ano mais um jornalista foi encontrado morto em seu apartamento (Kiev),  Alexander Shchetinin, com um tiro na cabeça e uma arma debaixo da cadeira. O jornalista havia desistido de sua cidadania russa para ser cidadão ucraniano e era fundador do jornal “Novy Region” (Nova Região). Antes ele tinha uma agência com o mesmo nome nos Urais, deixando a região pela Ucrânia por considerar a pressão do Estado russo inaceitável. Ele era um feroz crítico de Putin, porém também atacava Poroshenko.

³ Identidades ligadas a vitória na Segunda Mundial, às cidades industriais soviéticas do leste do país ou grupos étnicos nem russos e nem ucranianos que em geral habitaram o território ucraniano graças ao período soviético (descendentes de famílias da Ásia Central, por exemplo).

Referências:

UN torture prevention body suspends Ukraine visit citing obstruction http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=20017&LangID=E

Declassified Papers Show U.S. Recruited Ex-Nazis http://www.nytimes.com/2010/12/12/us/12holocaust.html?_r=2&partner=rss&emc=rss

Sobre a UPA:

Entrada da UPA English Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Ukrainian_Insurgent_Army

MARPLES, David R. “Heroes and Villains – Creating National History in Contemporary Ukraine”, Central European University Press, Budapeste, Hungria, 2007.  – O livro tem um tom um tanto “revisionista” mas não me parece demasiado apologético, apesar de ter também um elemento anti-soviético na sua construção ele não questiona mas sim descreve as brutalidades cometidas contra os poloneses em Volyn. Também descreve o que hoje parece uma espécie de consenso de que há uma “UPA expandida” após 1945, não tão estrita quanto a organização que colaborou com os alemães. O autor também observa que ainda nos anos 90, a altura da independência, “OUNista” e “banderista” eram grandes ofensas fora das regiões da Galícia e Volyn (“piores epitetos”, pg. 128; e continuam sendo hoje em várias localidades, como Donetsk, Lugansk, Odessa..), se referindo a uma organização “amplamente tida como um corpo traidor e colaboracionista que cometeu crimes de guerra”. É a partir dessa década que a “narrativa heroica” conservada pela emigração (especialmente nos Estados Unidos e Canadá, financiados pela Guerra Fria) vai passar a disputar com a “narrativa partisan” dominante no período soviético, segundo o autor.

KUBICEK, Paul “The History of Ukraine”, Greenwood, 2008. Descreve brevemente a relação da OUN com os alemães, inclusive como a proclamação da república ucraniana por Bandera inicialmente foi aceita pelo alemães e era um projeto colaboracionista, “conclamando os ucranianos a lutar contra a ameaça bolchevique”. Os banderistas não recuaram na política de colaboração após a prisão de Bandera e na prática a política de ocupação alemã estava dividida entre pragmáticos que queriam estabelecer um Estado fantoche-aliado e os racistas radicais (geralmente da SS, como Darré e Himmler) que enfatizavam o caráter “inferior” dos povos eslavos.