Colômbia 2018: Os eixos da campanha eleitoral

Por Ava Gómez y Javier Calderón | CELAG - Tradução de Matheus Cornely | Revista Opera

0
188
(Foto: Gobierno de Chile)

A campanha eleitoral de 2018 na Colômbia está definida por um cenário fortemente marcado pela desaceleração econômica e pelo desemprego, o último com uma taxa que atinge 10,7% nas treze cidades e áreas metropolitanas do país [1]. Esta situação tem um impacto transversal em um eleitorado com altas taxas de abstenção, cuja participação política tradicionalmente flutuou entre 22,5% e 50% [2].

Ao lado do econômico, a corrupção se situa como outro dos temas centrais que vêm ocupando, até agora, mais espaço na agenda de 2017. Os casos envolvendo diferentes partidos de direita, tribunais superiores e a Fiscalia General de la Nación (orgão semelhante à procuradoria geral), articulados em uma estrutura criminosa [3], revelam – no auge da campanha – o motivo da deslegitimação da classe política, um tema subjacente, embora central para o debate.

A situação econômica, o mau estado do sistema de saúde, altos custos de alimentos, salários baixos e o desgaste do governo Santos têm um impacto no desgaste da questão da paz; poucos vêem que sua vida possa melhorar em algo, uma vez que a guerra foi o efeito e não a causa do desconforto da sociedade. Isso é evidente nos baixos níveis de entusiasmo de uma cidadania que considera majoritariamente que “as coisas estão piorando” [4] e que as instituições estatais (ineficientes e corruptas) não contribuem para sua melhoria.

Isso implica que o cessar fogo bilateral, assinado entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o governo – dias antes da visita do papa Francisco– possa ser um tema de posicionamento perante a comunidade internacional, pouco usado pelos grupos políticos, exceto o uribismo, que tentará polarizar-se na campanha com o tema da paz, levando-a ao campo judicial e à reparação às vítimas algo que esqueceu completamente quando realizou o Pacto de Ralito, do qual surgiu a desmobilização de parte desses grupos. O tema da paz na campanha será utilizado em sentido negativo, manipulando a opinião pública. Em suma, a paz, tão importante para o país, será um tema nebuloso para os candidatos e superado para os eleitores desesperançados com a situação econômica e social.

Nesta mudança de curso, vão se posicionando as questões associadas à “dívida social” e à modernização do país (após a guerra não há desculpa para não assumi-las). Frente à imposição neoliberal de apagar o Estado das responsabilidades com os cidadãos, a disputa de uma agenda de direitos é central. Estas são as questões que geram maior preocupação, relacionadas com a falta de um Estado que garanta níveis educacionais, de saúde e de acesso aos serviços básicos que permitam uma dinâmica de mobilidade social e de acesso à população que permanece marginalizada.

O fator estrutural da desigualdade social implica não só em estabelecer alternativas para resolver a chamada dívida social, mas também em uma série de garantias de infraestrutura (transporte, habitação, sistemas de saúde) e garantias institucionais (transparência, eficácia e eficiência) que se tornarão eixos centrais das lideranças mais progressistas. O país não só está atravessando uma crise por corrupção; esta é parte da crise sistêmica das instituições, da quebra de um Estado de direitos (não do Estado de Direito) e do uso da força como a única forma de relacionamento com o cidadão.

Conectar-se com a indignação do eleitorado (agora manipulada pela direita uribista) e reabilitar a esperança, reconhecendo sua raiva como justa e gerada pelas escassas conquistas sociais do país e promessas historicamente descumpridas, poderiam ser os objetivos centrais de uma mudança no país. Portanto, os eixos ‘mudança – continuidade’, ‘o velho – o novo’, ‘decepção – esperança’, ‘passado – futuro’, ‘antiguidade – modernidade’ terão um papel especial na agenda dos próximos meses. Quem conseguir incorporar a possibilidade de mudança terá contato com esse sentimento maioritário do eleitorado. Mas sempre tendo em conta que, para o eleitorado colombiano, a mudança não significa a Revolução, uma posição extrema em seu imaginário. Mudança quer dizer viver melhor, ser transportado com eficiência e dignidade, ter acesso a um sistema de saúde e um sistema educacional inclusivo e de qualidade, alimentar-se e ter uma renda que permita voltar a sonhar com o bem-estar.


[1]
http://www.portafolio.co/economia/desempleo-en-colombia-abril-de-2017-506378

[2]
Vide Registro Nacional de Status Civil: a capital com menor participação eleitoral é Barranquilla, com 22,5%, seguido de Cali, com 35,4%, na primeira rodada presidencial de 2014, e atingindo 49% em Bogotá e Medellín.
http://elecciones.registraduria.gov.co:81/elecciones2014/presidente/1v/99PR1/DPR9999999_L1.htm

[3] http://www.semana.com/nacion/articulo/escandalo-de-la-corte-suprema-se-necesita-una-reforma-de-fondo-a-la-justicia/536886

[4] https://imgcdn.larepublica.co/cms/2017/06/29125027/0258-17000010%20GALLUP%20POLL%20%23119_0.pdf?w=auto