Venezuela deixará o dólar de lado

por Adam Garrie | The Duran - Tradução de Gabriel Deslandes

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(Foto: Cancillería del Ecuador)

O governo da Venezuela confirmou que está encerrando as vendas de suas vastas reservas de petróleo em dólar americano. A mudança ajudará o país sul-americano rico em petróleo a se esquivar das sanções unilaterais recentemente aprovadas pelos EUA. As sanções norte-americanas e as ameaças de ação militar contra a Venezuela foram rotundamente condenadas pela Rússia e pela China. A Venezuela começará a negociar seu petróleo em euros. Um movimento similar foi feito pelo governo iraquiano no ano 2000.

Em um discurso para o novo corpo legislativo, o presidente Nicolás Maduro disse: “Estou anunciando que a Venezuela pretende introduzir um novo sistema de pagamento internacional e criar uma cesta monetária para a libertação do dólar e [pretendemos] libertar-nos das garras do dólar, a moeda que está estrangulando nosso país”.

“Se eles nos perseguirem com o dólar, usaremos o rublo russo, o yuan, o iene, a rúpia indiana, o euro”, disse Maduro. Atualmente, na Venezuela, um dólar compra 3.345 bolívares, de acordo com o Banco Central. Na taxa oficial mais forte, um dólar compra apenas 10 bolívares, mas no mercado negro o dólar chega a 20.193 bolivares. Mil dólares da moeda local comprados quando Maduro chegou ao poder em 2013, agora só valerão US$ 1,20.

Em 25 de agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva impondo sanções financeiras ao governo venezuelano. A Casa Branca disse que as medidas foram “cuidadosamente calibradas” para exercer pressão financeira sobre o governo de Maduro. É importante notar que a Venezuela se senta na maior quantidade de reservas de petróleo do mundo.

A quantidade de reservas é listada em milhões de barris (MMbbl):

Os Estados Unidos já ameaçaram sancionar qualquer pessoa envolvida na Assembleia Constituinte, eleita em 30 de julho. A Assembleia Constituinte é um órgão legislativo, que tem o poder de alterar a Constituição venezuelana. A eleição da Assembleia ocorreu em meio a protestos de massa em todo o país. A oposição venezuelana, bem como a União Europeia e os Estados Unidos, se recusaram a reconhecer a legitimidade dos eleitos.

Maduro diz que isso faz parte de uma “guerra econômica” travada pela oposição e Washington, visando a sua expulsão do cargo. “Esta é a luta contra o bloqueio econômico das sanções imperiais de Trump”, disse Maduro. A Venezuela e Nicolás Maduro compartilharão o mesmo destino do Iraque e Saddam Hussein?