São extraordinários os gastos do Pentágono na compra de armas e munições de estilo soviético, mas o departamento enfrenta problemas para obtê-las e está usando documentos ilegais para encobrir seu destino final: a Síria.

A derrota do Estado Islâmico na Síria depende de uma linha questionável de abastecimento, canalizando quantidades sem precedentes de armas e munições da Europa Oriental para cerca de 30 mil combatentes rebeldes anti-ISIS.

Armados com AK-47 e granadas propulsionadas por foguetes, provenientes de linhas de produção estatais e estoques dos Balcãs, da Europa Central e, cada vez mais, da antiga União Soviética, essas tropas apoiadas pelos EUA estão liderando a batalha para recuperar Raqqa, a capital da autoproclamado califado e libertar outras áreas da Síria controladas pelo ISIS.

Porém, o fluxo de armas para essas milícias apoiadas pelo Pentágono depende da documentação oficial falsa, conforme descobriu uma investigação da Balkan Investigative Reporting Network (BIRN) e do Projeto de Reportagem sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP).

A operação foi criticada por especialistas em transferência de armas e até mesmo funcionários preocupados em Berlim, que viram grandes quantidades de armas passando por bases militares dos EUA na Alemanha, no caminho para a Síria[1]. Os repórteres identificaram mais de US$ 700 milhões em gastos com armas e munições provavelmente destinadas aos rebeldes sírios desde setembro de 2015, quando o Pentágono mudou a estratégia de seu programa de apoio e treinamento anti-ISIS.

O Departamento de Defesa orçou US$ 584 milhões especificamente para essa operação na Síria para os anos fiscais de 2017 e 2018, e destinou outros US$ 900 milhões em gastos com munições de modelo soviético até 2022. No total, US$ 2,2 bilhões financiarão o fluxo de armas para rebeldes sírios nos próximos anos.

As armas e munições que o Pentágono está fornecendo à Síria são despachadas por meio de uma rede logística extensa, incluindo um exército de revendedores de armas, companhias de navegação, companhias aéreas de carga, bases militares alemãs e aeroportos e portos balcânicos. As compras são encaminhadas através de dois canais. Um é administrado pelo Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (SOCOM) e o outro é operado pelo Picatinny Arsenal, um depósito de armas pouco conhecido em Nova Jersey.

O programa anti-ISIS do Pentágono se tornou a única campanha militar de Washington na Síria em julho de 2017, depois que o presidente Donald Trump encerrou Operação Timber Sycamore, financiada pela CIA, que visava armar rebeldes sírios contra o presidente Assad[2]. Trump prometeu “destruir” o ISIS e alocou o aumento do financiamento para a campanha do Pentágono, que agora conta com muitos ex-grupos antirregime na sua folha de pagamento.

Com grandes quantidades de armas ainda sendo despejadas na Síria, as preocupações aumentam quanto a um conflito mais amplo emergir assim que ISIS, o inimigo comum, for derrotado. Perguntado sobre a compra sem precedentes de armas de modelo soviético para rebeldes sírios, o Pentágono disse que havia examinado cuidadosamente os destinatários e estava liberando os equipamentos de forma incremental.

Treinar e equipar: uma mudança maior na estratégia

Quando o ISIS varreu a Síria em 2014, o Pentágono lançou em dezembro um programa de US$ 500 milhões de treinamento e armamento para construir uma nova força de rebeldes sírios, munidos com armas americanas modernas, na tentativa de combater a ameaça. Porém, nove meses depois, o programa entrou em colapso, com apenas um punhado de recrutas em campo de batalha[3].

No meio de uma enxurrada de manchetes negativas, o Pentágono precisava de um novo plano: a partir de setembro de 2015 e, em grande medida, sem destaque nos meios de comunicação, mudou silenciosamente o foco para armar rebeldes sírios já em terreno com armas do Leste Europeu e com as munições que eles já estavam usando, de acordo com um documento desclassificado do Pentágono até fevereiro de 2016.

Esse equipamento do tipo soviético, recém-produzidos e obtidos em estoques, está disponível na Europa Central e Oriental e nos países da antiga União Soviética, bem como na China e na Rússia. Esses dois últimos grandes fornecedores estão fora de catálogo, já que seu equipamento militar cai sob as sanções dos EUA.

A primeira entrega do Pentágono, que incluiu 50 toneladas de munição, chegou em outubro de 2015[4], apenas um mês após a mudança de política. As munições foram transportadas para as unidades árabes dentro das então recentemente formadas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão comandada por curdos que atualmente lidera a luta para recuperar Raqqa e é a principal aliada do Pentágono na Síria. A remessa estava longe de ser um evento único, e o SDF não era o único grupo a receber apoio – uma coalizão de combatentes rebeldes no sudeste da Síria também foi armada pelo Pentágono.

Linha de suprimentos da SOCOM

O Comando de Operações Especiais (SOCOM) não reconheceu seu papel no programa de treinamento e armamento da Síria, mas, em uma declaração escrita ao BIRN e ao OCCRP, o Pentágono confirmou que havia sido encarregado de obter armas e munições para rebeldes sírios.

Desde a mudança de estratégia até maio de 2017, o Pentágono comprou armas e munições no valor de US$ 240 milhões da Bulgária, Bósnia e Herzegovina, República Checa, Cazaquistão, Sérvia, Polônia e Romênia, de acordo com uma análise de milhares de registros de compras realizada por BIRN e OCCRP. Antes do início do programa, os gastos com o armamento do Leste Europeu eram insignificantes.

Enquanto o SOCOM é conhecido por abastecer secretamente parceiros dos EUA em outros conflitos, as provas documentais, a análise de especialistas e o testemunho de um contratado envolvidos na linha de fornecimento confirmaram que a Síria é o principal destino dessas compras.

Entre dezembro de 2015 e setembro de 2016, o SOCOM também fretou quatro navios de carga de portos romenos e búlgaros do Mar Negro, carregados com 6.300 toneladas das munições compradas para serem entregues a bases militares na Turquia e na Jordânia, as principais bases logísticas para o abastecimento de rebeldes sírios, segundo documentos obtidos, listas de embalagem e dados de rastreamento de navios. Também encomendou voos de carga comerciais com a linha aérea do Azerbeijão Silk Way para bases aéreas na Turquia e no Kuwait, outros centros-chave na missão anti-ISIS.

O Pentágono solicitou US$ 322,5 milhões adicionais para o ano fiscal encerrado em outubro de 2017 e solicitou US$ 261,9 milhões para os próximos 12 meses [ver infografia acima], para comprar munições para o programa de treinamento e armamento da Síria. Isso inclui dezenas de milhares de AK-47 e granadas propulsionadas por foguetes, RPGs e centenas de milhões de munições, de acordo com os pedidos de financiamento feitos pelo Pentágono e pela administração do Trump.

O SOCOM já havia consumido o orçamento em fevereiro, depois de emitir uma lista de US$ 90 milhões em compras especificamente para a Síria, como observado por repórteres, o que inclui 10 mil AK-47s, 6 mil lançadores de foguetes, 6 mil metralhadoras pesadas e leves e 36 milhões de peças de munição.

Picatinny: uma nova linha de oferta revelada

O SOCOM não é, no entanto, a única unidade do Pentágono que está comprando munições para o programa de treinamento e armamento da Síria. O Picatinny Arsenal, uma base militar em Nova Jersey, com a ajuda de sua instalação-irmã em Rock Island, também é uma parte crítica da cadeia de abastecimento.

Desde a mudança de estratégia, como revela essa investigação, o comando comprou até US$ 480 milhões em armas e munições de estilo soviético para rebeldes sírios, provenientes do Afeganistão, Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Romênia, República Tcheca, Ucrânia, Geórgia, Polônia e Sérvia.

Picatinny se orgulha de registrar o fornecimento de grandes quantidades de equipamentos do Bloco Oriental ao Iraque e no Afeganistão, mas tem sido muito mais perspicaz sobre seu papel no conflito sírio, que, do ponto de vista político, é divisivo internacionalmente e envolve o abastecimento de grupos de milícias em vez de exércitos estatais. Isso significa que, embora as compras de munições não-convencionais – eufemismo usado pelos EUA para os equipamentos de estilo soviético – fossem claramente marcadas para o Iraque ou o Afeganistão, parece ser política do Pentágono não rotular os bens com destino à Síria.

BIRN e OCCRP descobriram sete contratos no valor de US$ 71 milhões que foram assinados em setembro de 2016 e citavam a Síria por nome ou pelo código interno do Departamento de Defesa – V7 – para o programa de treinamento e armamento da Síria. Contudo, essas referências foram rapidamente excluídas do registro público depois que o BIRN e o OCCRP questionaram ao Departamento de Defesa e aos países fornecedores sobre essas entregas em março deste ano.

Os repórteres fizeram cópias de todos os documentos antes de serem excluídos. O Pentágono não explicou as alterações. Em cima dos US$ 71 milhões marcados para a Síria, outros US$ 408 milhões em equipamentos do Bloco Oriental foram fabricados desde a mudança de estratégia sem destino mencionado.

As entregas aos rebeldes sírios devem aumentar nos próximos anos, uma vez que Picatinny já destinou US$ 950 milhões para a compra de munições de estilo soviético até 2022 – gastou US$ 1,3 bilhão na década anterior – pressionando ainda mais a linha de suprimentos.

O duto de Picatinny via CIA

A CIA usou um arsenal pouco conhecido do Pentágono para comprar armas para rebeldes anti-Assad, conforme afirmou um contratante do SOCOM. Ele, que pediu para não ser nomeado, identificou a base Picatinny Arsenal como fonte do programa da CIA para abastecer os rebeldes sírios que lutam contra o presidente Assad, bem como a campanha anti-ISIS do Pentágono. A Operação Timber Sycamore, iniciada pela CIA em 2013 sob o governo Obama, foi interrompida em julho de 2017 por Trump.

Os registros de aquisições mostram que o Picatinny Arsenal comprou previamente munição de estilo soviético para Camp Stanley, no Texas, que, de acordo com um relatório de 2015 de um ex-analista da CIA, é provável que abrigue o depósito secreto da CIA que armou grupos rebeldes na Nicarágua e no Afeganistão.

Em junho de 2016, um contrato de Picatinny para “armas não-padronizadas” também aponta para o envolvimento da CIA. Diz que quantidades não-especificadas de armas como AK-47 e RPGs serão compradas em nome de “Other Government Agency (OGA)”, um eufemismo para a CIA.

Raspando o fundo do barril

O novo canal de US$ 2,2 bilhões financiado pelos EUA, bem como o duto anterior de 1,2 bilhões de euros financiado pela Arábia Saudita, Jordânia, Turquia e os Emirados Árabes Unidos, conforme previamente revelado pelo BIRN, significaram um período de boom para os produtores de armas na Europa Central e Oriental.

Fábricas como a produtora de mísseis Krusik na Sérvia e a fábrica militar VMZ na Bulgária aumentaram drasticamente sua produção. O primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vučić prometeu, no dia 1 de julho, transformar “pradarias e florestas” em fábricas de armas e quase dobrou as exportações de armas da Sérvia para US$ 750 milhões até 2020, enquanto visitava Belom, uma fábrica de balas recentemente inaugurada[5].

Enquanto o duto de armas ainda não se secou, os contratados do Pentágono foram forçados a explorar novas fontes mundo afora e solicitaram permissão para fornecer material antigo armazenado em vez de recém-produzido, de acordo com os documentos obtidos pelos repórteres.

Os EUA tradicionalmente recorriam à Romênia e à Bulgária em busca de armamentos não-convencionais, mas o aumento da demanda obrigou os contratantes a procurar a República Checa, a Bósnia e Herzegovina, a Sérvia e agora os vizinhos da Rússia, a Ucrânia, a Geórgia, o Cazaquistão e até o Afeganistão, conforme apontam os registros de compras americanos.

À medida que a demanda continua a crescer, a concorrência entre contratantes para garantir armas está se tornando cada vez mais feroz, forçando-os a irem ainda mais longe, incluindo o Paquistão e o Vietnã, segundo uma fonte. O contratado do Pentágono, que pediu para permanecer anônimo, afirmou que isso criou um “ambiente onde a ganância é o fator motivador entre a maioria dos fabricantes envolvidos”.

A escassez de suprimentos o Pentágono a diminuir seus critérios para a compra de armas e munições. Antes, exigia-se os fornecedores entregassem equipamentos com menos de cinco anos de idade, mas, em fevereiro, o Pentágono descartou esse requisito para a aquisição de equipamentos, de acordo com documentos oficiais obtidos pelo BIRN e OCCRP.

As munições armazenadas em condições precárias se degradam, tornando-se, às vezes, inutilizáveis ou até perigosas. Um fornecedor do Pentágono, contratado para o treinamento de rebeldes sírios, morreu em junho de 2015, quando o RPG de 30 anos que ele estava manipulando explodiu em um campo de tiro na Bulgária[6].

Socorrendo o sistema de controle de armas

O bom funcionamento da linha de abastecimento de armas para a Síria depende não só de manter em segredo o destino final do equipamento, mas também – dizem os especialistas que analisaram as evidências obtidas pelo BIRN e o OCCRP – que os países fornecedores no Leste Europeu não questionem por que os EUA estão buscando tantos armamentos do Bloco Oriental.

Esses especialistas acreditam que, como resultado, ambos os lados são susceptíveis à violação de suas obrigações internacionais. Um certificado de usuário final válido que assegura o destino de armas e munições é um requisito padrão legal internacional para garantir uma licença de exportação de armas, mas um certificado de usuário emitido pelo SOCOM quanto ao programa da Síria, analisado pelo BIRN e OCCRP, não menciona o país do Oriente Médio.

Em vez disso, ele lista o SOCOM como o usuário final, apesar do fato de o próprio exército dos EUA não usar armamento do Bloco Oriental. O documento afirma que “o material será usado para fins de defesa em uso direto pelo governo americano, transferido por meio de doação para educação militar ou programa de treinamento ou assistência de segurança”.

O documento é textualmente semelhante a quatro certificados de usuário final do SOCOM vazados no início deste mês, que detalham como as armas ou munições serão destinadas para o “uso exclusivo do Comando de Operações Especiais dos EUA, seus aliados e parceiros da OTAN em apoio ao treinamento dos Estados Unidos, assistência de segurança e operações de estabilidade”.

Em uma resposta escrita detalhada, o Pentágono não contestou a designação do Exército dos EUA como o usuário final, acrescentando que compreendeu a transferência de armas para rebeldes sírios como parte de seu programa de “assistência de segurança”, termo usado no documento legal. Porém, Patrick Wilcken, pesquisador de armas da Anistia Internacional, descreveu esse certificado de usuário final como “muito enganador”, acrescentando: “Um certificado de usuário final que não contenha essa informação [destino final] seria autodestrutivo e altamente incomum”.

Washington não ratificou ainda o Tratado Global de Comércio de Armas (TCA) da ONU, um acordo internacional que tenta regular a transferência de armas, impedindo o desvio de armas para zonas de guerra e melhorando a transparência. Portanto, o país não está legalmente vinculado a ele, mas, por serem signatários, os EUA esperam não prejudicar o acordo, algo que Wilcken argumenta que Washington está fazendo.

No entanto, como membro da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Washington assinou uma série de medidas para prevenir o tráfico de armas – incluindo uma decisão vinculativa para que os certificados de usuários finais incluam o país de destino da transferência.

Os Estados exportadores europeus ratificaram o TCA e também estão vinculados às decisões da OSCE e a regras ainda mais rígidas da União Europeia, conhecidas como Posição Comum sobre Exportações de Armas. As regras da União Europeia se aplicam à maioria de seus potenciais membros. No âmbito do TCA e da Posição Comum da UE, os exportadores devem pesar os riscos de que armas e munições sejam desviadas e utilizadas para cometer crimes de guerra ou “prejudicar a paz e a segurança” antes da emissão de uma licença. Sem saber o destino final, tal avaliação é impossível, o que significa que os Estados exportadores estão atuando “de forma negligente”, disse Wilcken.

Roy Isbister of Saferworld, uma organização não-governamental que trabalha para fortalecer os controles sobre o comércio internacional de armas, disse: “Se os EUA estão manipulando o processo e fornecendo cobertura para que os outros reivindiquem desconhecimento quanto aos usuários finais das armas em questão, todo o sistema de controle está em risco”.

As autoridades da Romênia, da Bulgária, da República Tcheca, Sérvia, Ucrânia e Geórgia apresentaram documentos de aquisição dos Estados Unidos que mostravam que as armas que haviam exportado estavam destinadas à Síria. A Romênia, a República Checa e a Sérvia disseram ao BIRN e ao OCCRP que concederam licenças de exportação para os EUA e não à Síria como o destino final. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Praga acrescentou que apoiou a luta dos EUA contra o ISIS, mas se recusou a confirmar que estava ciente do destino final das armas.

O Ministério da Defesa da Geórgia disse que um acordo de exportação estava em negociação, mas não recebeu um certificado de usuário final do Pentágono e nenhum contrato foi assinado. Ucrânia e Bulgária não enviaram respostas.

A Bósnia e Herzegovina, a Croácia, a Polônia, o Cazaquistão e o Afeganistão, que concordaram em exportar para o SOCOM ou Picatinny para um destino não-especificado desde setembro de 2015, também foram perguntados se estavam cientes de que essas armas foram parar na Síria. A Bósnia e Herzegovina confirmou que emitiu licenças de exportação para o SOCOM, mas não para a Síria, enquanto a Polônia e a Croácia alegaram que obedeceram todas as regras internacionais. O Cazaquistão e o Afeganistão não responderam.

As autoridades alemãs parecem ter ficado menos confortáveis ​​com o funcionamento do duto de armas. Um e-mail do Pentágono vazado, obtido pelo BIRN e OCCRP, revela como Berlim se tornou “muito sensível” às enormes quantidades de armas do Bloco Oriental que passavam por seu território em direção às bases dos EUA, aparentemente forçando um redirecionamento da linha de abastecimento para a Síria[7].

As armas continuam a serem derramadas na Síria para combater o ISIS, e os temores estão crescendo sobre o que acontecerá com elas e os combatentes quando os jihadistas forem derrotados. Wilcken disse que temia pelo futuro do Oriente Médio: “Dada a situação muito complexa e fluida na Síria e a existência de muitos grupos armados acusados de graves abusos, é difícil ver como os EUA poderiam assegurar que as armas enviadas para a região não seriam mal utilizadas”.

Fontes:

[1] – http://www.balkaninsight.com/en/article/german-concerns-spark-pentagon-reroute-of-syria-bound-arms-09-12-2017

[2] – https://www.washingtonpost.com/world/national-security/trump-ends-covert-cia-program-to-arm-anti-assad-rebels-in-syria-a-move-sought-by-moscow/2017/07/19/b6821a62-6beb-11e7-96ab-5f38140b38cc_story.html

[3] – https://www.defense.gov/News/Article/Article/616510/syrian-train-and-equip-effort-will-continue-pentagon-spokesman-says/

[4] – https://www.defense.gov/News/Transcripts/Transcript-View/Article/622954/department-of-defense-press-briefing-by-col-warren-via-teleconference-in-the-pe/

[5] – http://www.mod.gov.rs/eng/11217/pocetak-probne-proizvodnje-municije-u-uzicima-11217

[6] – http://www.balkaninsight.com/en/article/tirana-offloads-ancient-arms-to-controversial-broker-03-30-2017

[7] – http://www.balkaninsight.com/en/article/german-concerns-spark-pentagon-reroute-of-syria-bound-arms-09-12-2017