Austeridade não é ideologia, é política de extermínio

por Pedro Marin | Revista Opera

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(Foto: Mateus Hidalgo)

Na quinta-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa Características Gerais de Domicílios e dos Moradores 2017 (PNAD-C).

A pesquisa revela que em um ano, de 2016 a 2017, 1,2 milhões de domicílios trocaram o gás pela lenha e o carvão. Se considerarmos uma média de 3 pessoas por domicílio, são 3,6 milhões de pessoas que, em um ano, trocaram o fogão a gás, invenção de James Sharp em 1826, pelo método descoberto no Neolítico, há mais ou menos 5 mil anos. Em 2017, o preço do gás de cozinha subiu 16% para o consumidor (e 67,8% nas refinarias); é o período em que retrocedemos cinco mil anos. No total, 12,3 milhões de casas ainda usam a lenha ou o carvão para cozinhar.

Mas esse não é o único efeito da crise apontada pela PNAD. De acordo com a pesquisa, 6,07 milhões de domicílios estavam cedidos a parentes ou amigos no País; uma alta de 7% em um ano. Apliquemos de novo a média de três pessoas: 1,26 milhões brasileiros passaram a viver de favor em um ano; 18 milhões vivem atualmente.

Insisto: defender a austeridade não é questão de “posição” ou “ideologia”, é política de extermínio.

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22 anos, é editor-chefe e fundador da Revista Opera. Foi correspondente na Venezuela pela mesma publicação, e articulista e correspondente internacional no Brasil pelo site Global Independent Analytics. Tem artigos publicados em sites como Truthout, Russia Insider, New Cold War, OffGuardian, Latin America Bureau, Konkret Media e Periferia Prensa.