Angela Merkel defende a criação de um “verdadeiro exército europeu”

por Bruno Antonio | Revista Opera

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(Foto: Arno Mikkor)

A chanceler alemã Angela Merkel falou na última terça-feira (13) ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre a necessidade de criar uma força militar integrada da União Europeia (UE).

“Temos cooperação ao nível militar, e isso é muito bom, mas o que devemos fazer, e isto é muito importante, é trabalhar na visão de um dia criarmos um verdadeiro exército europeu”, disse Merkel, reforçando a ideia do presidente da França, Emmanuel Macron, que propôs a criação de um exército europeu.

Em seu discurso, a chanceler afirmou que o tempo no qual a Europa podia confiar incondicionalmente em outros acabou, e defendeu uma postura mais firme do bloco europeu diante do cenário mundial.

“Nós, como europeus, precisamos assumir mais fortemente nosso destino, se quisermos sobreviver como uma comunidade”, destacou a líder alemã. Ela defendeu o fim da exigência de unanimidade dos membros do bloco em votações, para apressar a aprovação de decisões.

A ideia da criação de um exercito europeu, defendida por Macron e Merkel, reflete uma tendência dentro do bloco, porém, sua aceitação não é unânime. A proposta não agradou o presidente norte-americano, Donald Trump, que a classificou como “muito insultante”.

A declaração sobre um exército europeu, inicialmente proposto na década de 1950, voltou ao debate nos últimos anos numa tentativa de aumentar a importância geopolítica da União Europeia.

Angela Merkel argumentou que a criação de uma força militar integrada mostraria ao mundo que não haveria mais guerras na Europa, e que a iniciativa não minaria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).”Não podemos proteger os europeus, se não optarmos por um verdadeiro exército europeu”, destacou.

Em seu discurso, a chanceler alemã criticou as tendências nacionalistas que ganham espaço dentro do bloco e ressaltou que a União Europeia é a melhor oportunidade de paz, bem-estar e segurança para seus cidadãos.

Merkel pediu também mais coesão aos países membros do bloco, em uma referência à disputa entre a UE e a Itália, que deseja aumentar seu déficit orçamentário além dos limites estabelecidos pelas regras da união. Sem mencionar Roma, a chanceler alertou que uma moeda única só pode funcionar se todos os integrantes cumprirem com suas obrigações orçamentárias.

A chanceler também mencionou o retrocesso do Estado de Direito em alguns países do oeste europeu, notadamente a Polônia e a Hungria, que já enfrentam processos dentro do bloco, que podem resultar em sanções por ameaçar a democracia e os direitos fundamentais com as suas recentes reformas.

A líder alemã apresentou sua visão sobre o futuro da União Europeia no contexto do ciclo de debates com chefes de Estado e de governo iniciado em janeiro deste ano.