Os altruístas úteis: Como as ONGs servem ao capitalismo e ao imperialismo

por Stephanie McMillan - Vincent Kelley | Counterpunch - Tradução de Marianna Braghini

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(Foto: MCC Robert Fluegel)

Há cerca de 20 anos, em uma conversa com um militante de Bangladesh, o tópico das organizações não-governamentais (ONGs) ou “organizações sem fins-lucrativos”, como são usualmente chamadas, apareceu. Ele disse sem pestanejar: “Odeio ONGs.” A veemência foi surpreendente. ONGs estão longe de serem organizações revolucionárias, é claro, mas seu trabalho parecia ser útil. Deixando as diferenças políticas de lado, parecia dogmático denunciar programas de assistência médica ou contra a fome. Na falta de medidas mais radicais, as ONGs pareciam ter uma função interina importante.

Desde aquela conversa, as ONGs proliferaram por todo o globo. Primeiro aparecendo em países dominados, elas agora também se tornaram parte importante do horizonte político no núcleo imperial. Hoje, as razões para o ódio dos militantes contra as ONGs são claras. As ONGs são destrutivas, tanto em seu trabalho atual quanto em sua exclusão de um futuro alternativo além do presente capitalista.

Cá estão quatro razões:

1 – As ONGS prejudicam, tiram a atenção de e substituem as organizações de massa

As ONGs chegaram ao ponto de ocupar um papel central em movimentos sociais e no ativismo político dos EUA e de outras partes do mundo – o que Arundhati Roy chama de “ONGnização da resistência”.

Pessoas bem-intencionadas frequentemente acreditam que possam ser pagas para fazer o bem, mas trata-se de uma fantasia. Nina Power escreve que “não há mais separação entre o reino privado e o trabalho diário,” argumentando que “o pessoal não é mais só político, é econômico de ponta a ponta.” Apesar de Power não fazer essa conexão explicitamente, o surgimento da concepção de “justiça social” e ONGs políticas é um bom exemplo da erosão dessa separação.

Para aqueles envolvidos em trabalhos de organização, há um padrão estranhamento familiar: alguma atrocidade ocorre e as pessoas, revoltadas, saem às ruas, e uma vez reunidas alguém anuncia um encontro para dar continuidade à luta. Neste encontro, diversos organizadores experientes parecem estar no comando. Esses ativistas, com linguagem abertamente radical, oferecem treinamento e um espaço para encontros regulares. Eles parecem já ter um plano traçado, enquanto todas as outras pessoas parecem não ter tido sequer tempo para pensar no próximo passo. Esses ativistas exalam competência, explicando – com diagramas – como mapear potenciais aliados, enquanto formam também uma lista de políticos específicos a serem mirados nos próximos protestos.

Eles formulam “exigências” para “criar confiança com uma vitória rápida”, e qualquer um que sugira um caminho diferente – talvez um que inclua as opiniões de pessoas que não sejam os líderes misteriosos – é ignorado de maneira passivo-agressiva. Baixo sua liderança, todos se mobilizam para ocupar alguma instituição, o gabinete de um ministro ou para realizar uma marcha ou manifestação. O protesto é alto e apaixonado, e parece ser radical, mas, de repente, você se encontra batendo na porta de um estranho, com uma placa em mãos, na esperança de convencê-lo a votar nas próximas eleições.

Há certamente variações nessa história, mas o ponto central é o mesmo: as ONGs existem para prejudicar a luta de massas, levá-la a objetivos reformistas e, por fim, suplantá-la. Por exemplo, em muitas manifestações do “Fight for $15” (movimento de trabalhadores de fast-food por salário mínimo de 15 dólares) em Miami, a vasta maioria dos participantes eram ativistas pagos, empregados de ONGs, Organizações Baseadas em Comunidades e equipes sindicais em busca de potenciais membros. De maneira similar, alguns dos protestos do “Black Lives Matter” em Miami foram liderados e tiveram a participação de ativistas pagos, que precisam demonstrar que estão “organizando a comunidade” para ganhar seu próximo grant (bolsa).

O movimento estudantil também é levado ao ativismo das ONGs. Em Iowa, uma ONG de “poder estudantil” se aproxima de líderes do movimento estudantil, lhes propondo que se unam a outros jovens radicais na região, para levá-los ao Partido Democrata. Essa cooptação de estudantes em direção ao reformismo é gigantesca, e diretamente financiada por capitalistas.

Quando um “independente” (não ligado a alguma organização) é encontrado em este tipo de mobilização, ele é cercado como se fosse carne fresca em um círculo de hienas, sendo instantaneamente devorado por ativistas pagos, que devem cumprir uma cota de recrutamento para manter seu emprego. Da próxima vez que você vir esse novo recruta, ele estará vestindo uma camiseta laranja, roxa ou verde, de qualquer uma das ONGs para a qual foi vendido.

Isso dificilmente se parece com o “se organizar” que o Pantera Negra George Jackson tinha em mente quando ele insistiu que os revolucionários se juntassem às massas a fim de “contribuir com a construção da comuna, da infraestrutura, com caneta e papel na mão”.

O ativismo tem sido capitalizado e profissionalizado. Em vez de organizar as massas para lutar por seus interesses, ONGs têm usado isso para seu próprio benefício. Em vez de construir um movimento de massas, eles gerenciam a indignação pública. Em vez de desenvolver militantes radicais ou revolucionários, eles desenvolvem ativistas pagos, mas ineficientes e como receptores passivos de assistencialismo.

Nem sempre foi normal que organizadores fossem pagos. Antes da “ONGzação” da resistência, os radicais assumiam a luta segundo a perspectiva dos interesses internacionais da classe trabalhadora, da nossa consciência e com um flamejante desejo de esmagar o inimigo e mudar o mundo.

Atualmente, se organizar sem compensação financeira é quase um conceito alienígena. Quando saímos para panfletar – sim, nós assim panfletamos – as pessoas frequentemente perguntam: “Como eu consigo um trabalho fazendo isso?” Nossa resposta de que não somos pagos geralmente é recebida com incredulidade.

Essa internacionalização da mentalidade de ONG é uma grande parte do porquê as lutas da esquerda são tão fracas. Historicamente, a classe capitalista, frequentemente com a ajuda do Estado, tem sido extremamente efetiva em reprimir a esquerda, às vezes por meio de infiltração ou violência, como com o programa do FBI “COINTELPRO”. Mas atualmente, a repressão e deslocamento de dissidentes é mais provável que venha de ativistas bem intencionados, com assinaturas e pranchetas em mãos. O Capital não tem mais a necessidade de se infiltrar nessas organizações, porque ele fundou elas.

2 – ONGs são um instrumento do imperialismo

Invasões militares, ou a ameaça de invasão, ainda exercem um papel indispensável no auxílio de países imperialistas¹ em sua busca por extrair e explorar recursos e trabalho na periferia global. Mas a tática de manter uma infantaria no solo (“Boots on the ground”) tem se tornado cada vez mais uma medida de último recurso, em uma estratégia de controle mais abrangente que hoje também inclui métodos menos onerosos e socialmente destrutivos.

ONGs, como missionários, são frequentemente usadas para penetrar uma área e preparar condições favoráveis ao agronegócio exportador, a oficinas de costura com mão de obra semi-escrava, exploração de minas e a playgrounds de turismo. Enquanto a atual ação militar geralmente é caracterizada (pelo menos pela população local) como uma intervenção humanitária, o caráter ostensivamente humanitário das ONGs parece se auto justificar. Mas é essencial aplicar às intervenções das ONGs o mesmo olhar crítico que usamos com as intervenções militares.

O Haiti é o exemplo mais extremo da cumplicidade de ONGs com a agressão imperialista. Referida por muitos haitianos como “a República das ONGs”, já haviam 10 mil ONGs no país antes do terremoto de 2010, mais ONGs per capita do que em qualquer lugar do mundo. E 99% da ajuda humanitária pós-terremoto foi canalizada por ONGs e outras agências, que se tornaram criminosas, embolsando a maior parte do dinheiro que pessoas ao redor do mundo doaram de boa fé, na expectativa de que isso de fato ajudasse as comunidades devastadas pela catástrofe.

Isso não é novidade. Décadas atrás, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e o Banco Mundial já estavam impondo economias baseadas em exportação concomitantes a programas de “ajustes estruturais” no Haiti e outros lugares. Mesmo vinte anos atrás, 80% do dinheiro da USAID iam parar de volta nos bolsos de corporações americanas e “especialistas”. Enquanto esse processo foi amadurecendo, ONGs envolvidas na entidade eram favorecidas por essa forma parasitária de acumulação, capitalizando e se alimentando da miséria criada pela própria “ajuda” de princípio.

Em muitos países dominados, diretores de ONGs se tornaram uma fração da burguesia burocrática, usando o Estado como sua fonte principal de acumulação de capital. No Haiti, pelos últimos vinte anos ou mais, muitos destes que iniciaram ou chefiaram ONGs também vieram a ocupar papéis políticos, de Presidente a Primeiro Ministro, a membros do Parlamento, incluindo Aristide, Préval e Michèle Pierre-Louis.

Então, o imperialismo global não apenas dá a ONGs uma razão para existir, mas as envolve ativamente no projeto de dominação imperialista². Em outro exemplo, no ano de 2002, ONGs estiveram lado a lado com a Casa Branca, a CIA e a Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO) para apoiar o que James Petras chamou de “golpe de base liderado burocraticamente por uma associação de negócios militares” para depor o Presidente democraticamente eleito Hugo Chávez, na Venezuela. Depois que uma mobilização doméstica teve sucesso em restaurar Chávez ao poder, ONGs financiadas pelos EUA apoiaram um locaute (greve de patrões) orquestrada por executivos do petróleo, que somente foi derrotada pela subsequente tomada da indústria por trabalhadores.

3 – ONGs substituem o que o Estado devia estar fazendo

Agências de ajuda humanitária fundadas por instituições capitalistas/imperialistas – corporações, fundações e o G8 – tomaram as principais funções dos Estados em países dominados. Ironicamente, a necessidade desse auxílio veio de condições draconianas para empréstimos, demandadas por estas mesmas formações sociais imperialistas.

Essa “esmorecida” de programas sociais executados pelo Estado em ambos países imperialistas e dominados não significa que os Estados se enfraqueceram. Significa apenas que eles podem dedicar mais de seus recursos para conquistas, repressão e acumulação, e menos para pacificar a população, prevenindo que ela se levante em massivo descontentamento.

Em Bangladesh, programas de microcrédito vêm sendo agressivamente promovidos como um meio ostensivo de amenizar a pobreza, mas eles tiveram efeitos desastrosos. Enquanto o fundador do microcrédito Muhammad Yunus e seu Banco Grameen receberam o Prêmio Nobel por criar “desenvolvimento econômico e social a partir de baixo”, na realidade, eles meramente abriram novos mercados para bancos entre a população rural pobre, enquanto as vítimas de suas práticas de empréstimo foram reduzidas a vender seus órgãos para o pagamento de juros. Como o historiador Badruddin Umar afirmou: “O principal objetivo deles [o governo e os imperialistas] nisso foi perpetuar a pobreza e distrair a atenção dos mais pobres das lutas políticas para mudar as relações básicas de produção, bem como relações sociais que criam e preservam as condições da pobreza.”

Jennifer Ceema Samimi escreveu que mesmo nos EUA, “a devolução do governo federal resultou na crença do governo em fundações com ou sem fins lucrativos para prover uma variedades de bens e serviços, incluindo serviços de bem-estar social”. De fato, as populações dominadas, tanto no núcleo imperial bem como na periferia, se tornaram cada vez mais condicionadas a ter suas necessidades atendidas, pulando de clínicas de saúde de caridade a bancos de comida, para uma miríade de outras agências da “sociedade civil”.

Saúde, comida, água, abrigo, educação, proteção à criança e emprego significativo são necessidades básicas da vida humana. Elas deveriam ser um direito, não uma doação ou um projeto fundado por uma ONG.

4 – ONGs apoiam o capitalismo ao apagar a luta de classes

Parte da razão das ONGs estarem se reproduzindo tão rapidamente, no núcleo imperial e na periferia, é que elas se tornaram a opção de sobrevivência para graduados desempregados com inclinações progressistas, passando por uma crise econômica global.

O mercado de trabalho atual, mesmo para jovens com meios e educação, é extremamente desafiador. Este fato, somado à crescente crise capitalista de representatividade, em meio níveis disparados de desigualdade e opressão, tornam as ONGs uma atraente perspectiva de trabalho. Elas oferecem uma alternativa, a chance de manter um bom emprego, especialmente para a pequena burguesia³. No Haiti, por exemplo, elas são os maiores empregadores.

O setor de ONGs é igualmente atrativo para a pequena burguesia norte americana como uma opção individualista para escapar da proletarização e da luta de classes.

Muitos graduados, emergindo com diplomas em humanidades e ciências sociais, são apresentadas a oportunidades de trabalho monótonas e têm poucas oportunidades a bons empregos. Com serviços de baixa remuneração como alternativa, a empregabilidade em uma ONG é uma perspectiva bem-vinda. Como um jovem funcionário de ONG recentemente disse, o trabalho no setor sem fins lucrativo é etiquetado como um trabalho “significativo”, trabalho que não só ajuda a pagar o aluguel, mas também ajuda a mudar o mundo.

A juventude dos meios urbanos emergentes com a Teach for America (TFA) soa muito mais sedutora do que fazer sanduíches no Subway, mas é melhor não pensar em como este trabalho faz à cumplicidade de jovens professores, no que Glen Ford chama de “escândalo do corporativismo anti-educação” com a racista TFA.

Canalizar a luta contra os piores efeitos do capitalismo por meio de ONGs esconde a contradição central do capitalista, aquela entre capital e trabalho. Os horríveis efeitos do capitalismo – opressão, destruição do meio ambiente, guerras de conquista, exploração, pobreza –  não podem ser eliminados sem a eliminação de sua causa. A reprodução e acumulação do capital ocorre a partir da produção de mais valia por meio da exploração de trabalhadores durante o processo de trabalho.

Em vez disso, ONGs enfatizam as aspirações da pequeno-burguesia, que é mal paga na circulação de capital, em vez de explorada na produção (como trabalhadores são), e é dominada pelo capital, mas não no fundamental antagonismo de sua relação com ela (como trabalhadores são). Ainda, a tendência natural da pequeno-burguesia, ao afirmar seus interesses de classe, não é destruir o capitalismo, mas lutar por igualdade dentro do enquadramento capitalista. ONGs são uma expressão disso. A classe capitalista conta com elas para amortecer a luta da classe trabalhadora e diluí-la em reformismo, ao enterrar suas lutas em partidos políticos estabelecidos e em sindicatos colaboracionistas.

Historicamente, sempre que a classe trabalhadora abre sua boca conclamando uma revolução, o macio travesseiro da pequeno-burguesia está disposto a sufocá-la. Capitalistas dependem da pequeno-burguesia para agir como agentes de reforço da dominação capitalista da classe trabalhadora. O desafios para os sérios militantes progressistas, radicais ou revolucionários, que sejam membros da pequena burguesia, é pular fora dessa rota imposta, é rejeitar este papel conscientemente, e prevenir de serem usados – inadvertidamente ou o que seja – para propósitos reacionários.

Uma Nota para Funcionários de ONGs

Esta lista não tem o propósito de questionar a sinceridade das pessoas que trabalham para ONGs – muitos são pessoas inteligentes e bem intencionadas que genuinamente querem fazer a diferença. Empregos são escassos e é absolutamente tentador acreditar que estes dois imperativos – servir a humanidade enquanto assegura sua própria sobrevivência – podem ser combinados em um único pacote legal e não problemático.

Infelizmente este não é o caso. Um poema haitiano diz: “A unidade da galinha e da barata acontecem na barriga da galinha” – você não pode mudar o sistema a partir de dentro.

Mas se demitir também não é a resposta. Estamos todos presos na armadilha da economia capitalista, e a vasta maioria de nós está compelida a trabalhar para viver. Nós não podemos simplesmente decidir sair numa decisão individual. A única saída é nos organizarmos juntos para derrotar o capitalismo – ou todos nós nos libertamos, ou ninguém de nós irá.

Enquanto isso, entretanto, devemos evitar confundir o trabalho em ONGs com organização real e autônoma.

O capitalismo não irá nos ajudar a destruí-lo – devemos de fato nos tornarmos efetivos em construir um movimento anti-capitalista de massas, e capitalistas farão o possível para nos desacreditar, neutralizar, aprisionar e até mesmo nos matar. Eles certamente não nos darão um salário.

[Nota: Este artigo foi inicialmente solicitado pela revista Jacobin. A primeira versão, por Stephanie McMillan, pode ser lida aqui. A atual versão é co-autorada – Vincent Kelley da Grinnel College entrou no projeto para adicionar sua perspectiva e ajudar a revisá-la de acordo com as demandas editoriais da Jacobin. Nós tentamos fazer isso sem diluir o conteúdo. Suas demandas incluíram usar uma língua menos informal e mais “acadêmica”, e culminou no que ambos interpretamos como uma flagrante tentativa de apagar a classe trabalhadora de seu conteúdo (o editor discorda). Quando nos recusamos a remover o que era o nosso ponto central, a Jacobin decidiu não publicá-la.]

Notas de rodapé

¹ Nós usamos o termo “imperialismo” não para construir uma categoria de “opressão nacional” ou advogar o nacionalismo como a resposta política apropriada para a dominação imperialista. Em vez disso, entendemos imperialismo como um produto da tendência rumo à concentração e centralização do capital. Basicamente, imperialismo hoje é caracterizado pela internacionalização do monopólio de capital no qual o núcleo imperialista – na forma de capitalistas multinacionais – extrai mais-valia dos trabalhadores na periferia, que não são menos “produtivos” que os trabalhadores do núcleo, mas, em vez disso, seus trabalhadores são super-explorados em comparação com os trabalhadores do núcleo. Conquista militar, dominação cultural e outros aspectos do imperialismo dependem dessa relação de dominação no nível da extração de mais valia. Em formações sociais dominadas, a luta de classes internas entre a classe trabalhadora e as classes dominantes (burguesia burocrática, classes feudais) é ainda a contradição fundamental, mesmo quando o desenvolvimento interno do capitalismo foi severamente afetado por e subordinado ao imperialismo. Para uma discussão mais profunda da questão, ver: http://koleksyon-inip.org/a-brief-definition-of-imperialism/

² Por dominação, nós queremos dizer, neste caso, os efeitos do imperialismo como um todo na formação social periférica (o país). Isso engloba um entendimento dos impactos do imperialismo em todas as classes dominadas na formação social periférica, incluindo, mas não limitada, a classe trabalhadora. A derrubada da dominação imperialista requer ação internacional contra o núcleo imperialista – atualmente os EUA – tanto na periferia global como na barriga imperialista da besta. Para uma análise da dominação imperialista no Haiti, ver: http://koleksyon-inip.org/haiti-and-imperialist-domination/

³ Usamos o termo “pequeno-burguesia” não meramente como uma substituição de “classe média”, mas sim como uma explicação precisa e analiticamente indispensável da relação peculiar dessa classe com a produção. A pequena burguesia não é nem aquela que produz mais valia (a classe trabalhadora, no caso) e nem aquela que a extrai e acumula (a classe capitalista). Esta classe diversa, que não é a principal na reprodução das relações sociais de produção, é compelida a se aliar com uma das duas classes autônomas, trabalho ou capital. Trabalhadores de ONGs são apenas um exemplo dentre muitos, de membros desta classe e devem reconhecer sua posição enquanto tal para promover a classe trabalhadora em vez da capitalista na luta de classes. Nós chamamos as lideranças da classe trabalhadoras não por qualquer privilégio moral dentre trabalhadores, mas sim por conta fracasso histórico e atual da pequena burguesia em avançar com sucesso na luta anticapitalista. Para uma discussão mais profunda da questão, ver: http://koleksyon-inip.org/greece/#more-495.