Bolsonaro triunfa agressivo, clamando pela cabeça de seus oponentes políticos enquanto paquera os quadros da velha ordem. Ficaram impressionados os que estão acostumados com os discursos institucionais e a moderação da vitória, pois Bolsonaro declarou uma guerra contra a esquerda. Não era para ser tão impressionante, a considerar o partido militar-conservador (a nova cruzada democrática) que Bolsonaro representa.

Em portais como o DefesaNet vemos a exposição da ideologia desse grupo: existe uma conspiração neocomunista bolivariana por parte da esquerda brasileira. O PT, o MST e toda esquerda estão em uma guerra híbrida contra o Brasil. O politicamente correto e a “ideologia de gênero” seriam armas centrais dessa guerra – o neocomunismo deseja fabricar homossexuais em massa e confundir as identidades para dominar o país. Outros países são envolvidos na conspiração, principalmente Cuba e Venezuela (ah, o Foro de São Paulo), mas Rússia e China também podem ser citados. Esses “analistas militares” às vezes assumem um tom muito sério e de pretensão ultra-realista para falar dos interesses dos vermelhos, dos russos e dos chineses, mas naturalmente não questionam a santidade moral nem o “direito de dominação” dos Estados Unidos da América (aqui eles dão as mãos com os seguidores de Olavo de Carvalho, seguidores mais fervorosos do americanismo que agora ganham seu próprio espaço no bolsonarismo).

Naturalmente, isso não passa de ideologia no sentido mais baixo e vulgar. Eu sei que é difícil acreditar que generais crêem nisso. No entanto, o ponto não é se o partido militar-conservador acredita nessa loucura. No passado, direitistas incrédulos e afundados em vícios juraram defender o sagrado coração de Cristo, a civilização cristã e os bons costumes contra a “ameaça comunista” – por acaso, ser anticomunista também era muito lucrativo e uma das formas de acumular o poder: era uma ideologia.

Os estrategistas influenciados pela ideia de guerra híbrida acreditam que é necessário oferecer essa simulação, combater no plano político com essas representações escandalosas, criar sua própria narrativa para atingir seus objetivos. A velha Doutrina de Segurança Nacional que orientou os militares na ditadura ainda se faz presente, por isso os motivos são tão similares, mas com adaptações decorrentes das novas teorias militares e das transformações sociais pelas quais o país passou (democratização, consumo, comunicação, governos petistas…).

Ademais, ideologia não se trata só de puro oportunismo, pois no seu cerne ela possui algo de verdade para quem a professa. Se buscarmos identificar uma crença no seio da família Bolsonaro, nós vamos encontrar uma profissão de fé direitista com fixação autoritária e motivos conservadores próprios da sociedade brasileira (com aquele toque especial de Barra da Tijuca).

É o condomínio contra o mundo, é o forte colonial cercado pelo mar salgado de um lado e o mar de nativos de outros. É o horror ao “caos” da cultura popular, a defesa do autoritarismo como técnica para deter o perigo que a própria existência das massas representa para o modo de vida e o usufruto de algumas minorias, minorias ricas e com a tendência de se vincular ao estrangeiro (no plano material, moral e sentimental); a técnica serve também para disciplinar as massas. A minoria se sente uma parte alienada e desgraçada do “Primeiro Mundo” que precisa se armar e combater contra o Terceiro Mundo que a cerca.

No cálculo do partido militar-conservador, o Brasil é um barril de pólvora com território demais, fronteira demais, gente demais, muitos pobres e muitos criminosos. As hierarquias devem ser preservadas em nome da estabilidade e mudanças devem ser feitas com cuidado. A esquerda se converte em um fator estratégico de desestabilização, por aspirar a transformações rápidas e estimular o conflito latente. A militância política pode dissipar as forças que deveriam estar concentradas na guerra contra o crime organizado. Podem não acreditar na “conspiração homo-bolivarianista”, mas efetivamente elegeram a esquerda como um problema estratégico que precisa ser resolvido (como já tentaram “resolver” nos anos 60). Inegável é a influência norte-americana que teme que um país como o Brasil saia da linha e nesse barco vão subindo todos aqueles que tem algum problema com as implicações genéricas do esquerdismo (desde liberais até conservadores dos costumes).

O olavismo e o eixo formado entorno do “Brasil Paralelo” retratam a defesa das camadas sociais superiores como a defesa de uma fortaleza cultural do Ocidente (o mesmo se aplica ao Brasil 200, com ênfase mais liberal e com o rosto público de empresários – a título de curiosidade, é notável como esse nome também trás uma espécie de perversão simbólica do bolivarianismo, que recorre muito a ideia de bicentenário).

Fortaleza, condomínio…

Não vim aqui fazer o papel de cientista, mas a relação ambígua das elites conservadoras com a modernização no Brasil (e no mundo) é objeto de ampla literatura. Sempre tentaram modernizar e acompanhar a globalização sem perder sua posição privilegiada – nos anos 60, o medo da Reforma Agrária. Essa sempre foi a lógica do entreguismo: a elite conservadora vê na dependência e na potência imperialista uma proteção contra as dinâmicas de transformação da sociedade. Além dos condomínios físicos, também se esforçaram para construir um condomínio de poder capaz de reunir as classes dominantes e as camadas burocráticas do Estado brasileiro em um mesmo projeto.

Interesses diversos, a começar pelos militares, sabem que podem ser devorados na marcha do capitalismo. O reformismo transformista da social-democracia, com suas grandes negociações, é perigoso demais aos olhos mais conservadores.

Não é tão surpreendente então que até militares façam discurso denunciando nossa cultura (dos portugueses até os índios, incluindo o catolicismo) como fonte central de nossos problemas e elogiando a cultura protestante anglo-saxônica como a solução, como fez Mourão mais de uma vez. Não é só um produto sociológico das concepções de ordem, higiene e disciplina do ambiente militar, mas reflexo dessa socialização que é hostil a realidade brasileira enquanto se identifica com o Primeiro Mundo, o “Ocidente” (capitalista e liberal) que tudo governa, a referência a qual devemos nos ajoelhar e nos agarrar. O “Ocidente” é o cume divino que se espalha pelo resto do planeta, um sol que irradia imanências de cima para baixo e a isso se chama de “Progresso”  (a metáfora metafísica é importante se pensarmos que Mourão é um Maçom comprometido).

A elite se volta para fora.

Não é meu objetivo aqui fazer uma exposição pura da ideologia bolsonarista ou do que há por trás dela, ainda não fiz isso mas já tratei outros pontos no artigo “A Utopia Golpista da Nova Constituição”.

Bolsonaro só está aplicando o programa e seguindo a ofensiva. Se ele é um idiota, pelo menos é um idiota útil. Não há porque abrir mão das qualidades mais escandalosas dele se são precisamente elas o seu trunfo e quando sem elas sobra muito pouco. A mistura de histrionismo ideológico com a humilde submissão intelectual nos assuntos de Estado, na hora lidar com portas fechadas e grupos de interesse, cria uma imagem de presidente ideal para tipos como os militares de alto coturno e os grandes capitalistas.

[7 horas da manhã do dia 7, CBN com manchete: “Bolsonaro é orientado a não falar sobre temas econômicos”]

Cito o primeiro artigo Brasil Sempre, publicado no dia 8 de Outubro de 2018:

“No início de setembro William Waack, bem relacionado nos meios militares, dedica sua coluna no Estadão “ao que pensam os militares sobre o momento político”, para reverberar o que seria um “Chamado à Razão” de oficiais de alta patente (“na verdade, um alerta e uma advertência” – leiam de novo, “na verdade, um alerta e uma advertência“). Os coturnos reclamam da “esquerdização” no país e comparam a situação atual com a anterior de 64 (que, como verão, não é exatamente o que eu faço).”

O que o bolsonarismo quer agora, patrocinado pelo partido militar-conservador, é selar o novo pacto hegemônico no Brasil. Ainda reafirmo outro ponto do texto, a respeito da utilidade de Bolsonaro para esse partido:

“nada impede que militares enxerguem no incipiente bolsonarismo precisamente uma base política em potencial, mobilizada, de massa, ideológica e distinta do fisiologismo regional”

Se eles exageram quando falam do aparelhamento petista no Estado brasileiro, não importa. O discurso agressivo permite uma mobilização permanente, a justificativa de atos que fortalecem o governo, aplicando uma receita que foi usada com sucesso nas eleições. O objetivo no fim é poder tirar qualquer um identificado como esquerdista do aparelho. Se for fazer o mal, melhor ter uma justificativa ideológica.

O objetivo é atacar a esquerda.

A cadeira, a caneta e o dinheiro

A vontade de atacar se estendeu no plano federativo e o novo presidente declarou guerra aos estados do Nordeste. Na verdade, disse ao jornalista do SBT que “não irá declarar guerra” para depois dizer que “não me venham me pedir dinheiro, não me venham pedir nada pois não seu presidente”. “O presidente deles está em Curitiba”, complementou o presidente que leva o seu anti-petismo às últimas consequências e a despeito de milhões de pessoas que habitam os estados nordestinos, independente de suas obrigações com o pacto federativo.

O que ele quer, separatismo? (estaria nesse caso emulando os neofascistas ucranianos) A territorialização do conflito político faz parte da estratégia política dos militaristas neoconservadores? Talvez uma confirmação da tal antropologia política da direita brasileira, confirmação de que ela seria desejosa de intensificar a subjugação das massas através do empobrecimento e da precarização – que maneira melhor de fazer isso do que elegendo alguns estados como inimigos, criando áreas devastadas, fábricas de pobres (mão de obra barata – se detém politicamente a valorização do salário da força de trabalho em todo território nacional). É um jeito de usar a política para criar centros de reprodução social da pobreza.

No plano ideológico, dizer que “o presidente deles está em Curitiba” ultrapassa a mera provocação e se torna um ato de marcar uma fronteira, de demarcar um outro campo com seu próprio presidente, seu próprio comandante – um outro país. Os governadores estariam respondendo a um grande vilão fechado em uma prisão, vilão que deve ser usado como bode expiatório para qualquer fracasso que o atual governo venha experimentar.

Quer punir a região por conta das eleições, por ter votado diferente do que ele queria, por ter eleito governadores que ele não gosta. Postura que se confunde com a imagem de um personagem medíocre e ressentido, um patrão provinciano, novo rico e sem grandes pensamentos fora do mundo das vulgaridades.

Lembro do ridículo da propaganda eleitoral bolsonarista em seu excesso de bajulação com o nordeste. Afirmações em tom infantil como “vamos usar o dinheiro para o nordeste”. Pessoas diversas sendo colocadas na câmera para reforçar a mensagem “agora eu vô de Boçonaro”, “é o melhor pra gente”, “chega de PT”.

A cadeira, a caneta e o fuzil

Agora, prestem atenção no Ceará. Mal começou a “nova era” e as facções criminosas iniciaram uma campanha de terror.

Imagine só se, por coincidência, essas facções muito bem conectadas a São Paulo levam a guerra um pouco mais longe, cometem atos um pouco mais bárbaros, e nosso Presidente, guiado por seu altruísmo, decreta uma intervenção federal?

Entre nossos leitores, muita gente diz ter a pulga atrás orelha com setores do PSDB, com o governo paulista, com o ministro Alexandre de Moraes. Deixem a pulga falar um pouco mais.

Sem dúvida, ainda há tempo para as coisas acontecerem. Bolsonaro ainda quer mexer na constituição e não pode fazer isso com intervenção federal, mas continua tendo essa arma na cabeça do grupo político de Ciro Gomes e de cada governador brasileiro. É sintomático que o Ceará esteja recebendo ajuda e reforço de outros estados nordestinos, apesar do governo federal ter cedido tropas da Força Nacional.
 

Depois de um ano inteiro com militares e comentaristas dizendo que a intervenção do Rio fracassou por ter sido “incompleta”, isto é, ter tirado só a Secretaria de Segurança mas não o governo, Bolsonaro não iria vacilar na hora de remover o governador e colocar algum aliado. Possivelmente um militar.

Importante também que quem assumiu a secretaria de segurança nacional do Ministério da Justiça de Moro foi o General Theophilo, que foi candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, o candidato anti Ferreira Gomes, humilhado pelo candidato de Ciro. Foi candidato focado em segurança, no seu “tripé de segurança”, o que queria criar uma fortaleza no Ceará. Theophilo também participou da intervenção realizada no Rio de Janeiro. A pasta que Theophilo assumiu era antes Ministério de Segurança Pública ocupado por Raul Jungmann, fundido com a Justiça em um super-ministério. Já são pelo menos três cearenses no governo e Bolsonaro sabe – como todo mundo – aonde estão as pernas de Ciro Gomes.

Como estamos argumentando há algum tempo na Opera, existe uma lógica de fortalecimento da instituição que pode se concretizar em um interesse na realização desse tipo de intervenção. É a lógica de acumulação do poder. “Ah os militares não querem problema, querem aposentadoria” é subestimar a física do poder e não entender o sentido de declarações públicas que pediam uma intervenção completa no Rio de Janeiro.

O novo presidente transforma a cadeira presidencial  em uma cadeira de praia. Se agora já estão fazendo a festa com os espólios, uma intervenção completa seria mais uma cesta de cargos posições; a emergência liberaria os gastos e a mídia daria conta de um belo espetáculo, sendo Bozo o protagonista.

Temer já nos deu diversas experiências de intervenção federal e aplicação da LDO, para além do caso do Rio de Janeiro. Já falamos muito no decorrer da série Carta no Coturno. Um exemplo mais velho porém muito importante foi a que ocorreu no Espírito Santo, em Fevereiro de 2017 quando o governador baixou um decreto passando a segurança para as Forças Armadas. Devemos atentar, no entanto, ao exemplo mais recente: a intervenção federal que Michel Temer decretou em Roraima no dia 19 de Dezembro.

Alguns jornalistas de rádio se diziam curiosos à época do anúncio, pois seria somente “adiantar a posse” do bolsonarista eleito em Roraima, Antonio Denarium do PSL, escolhido como interventor. Não notaram a diferença: enquanto governadores Brasil a fora lutam com folhas de pagamento, o governo federal assumiu a responsabilidade da gestão administrativa em Roraima. Temer assinou uma medida provisória repassando R$ 225 milhões para o estado.

A matéria do planalto¹ cita Denarium: “Os recursos serão utilizados para regularizar a folha de pagamento dos servidores, que estavam em greve generalizada no estado. Essa foi a forma do governo federal nos ajudar a acabar com o caos social e econômico em que Roraima vive hoje.”

O governo federal também transferiu 112 mil hectares de terra da União para Roraima, que o interventor declarou que irá “beneficiar produtores rurais”. Isso deve continuar e dar tônica da “descentralização” e da política hostil à terra indígena de Jair Bolsonaro.

A intervenção foi justificada pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, com base na “clareza dos relatórios de inteligência”.

Roraima também é uma posição estratégica para qualquer política de guerra dirigida contra a Venezuela. Mais importante do que a intervenção, a minha comparação depende do que veio antes dela: um sufocamento por parte do governo federal que viria da influência e da sabotagem do (ex)senador Romero Jucá.

“Não me venham pedir dinheiro, não me venham pedir nada” – até que a situação pede uma intervenção federal.

Claro que no caso do Ceará também existe um prêmio especial: o porto de drogas.

Como descreveu a jornalista investigativa mexicana Anabel Hernández, no México a associação do crime organizado com o Estado, com a política e com as agências de repressão não foi feita só de corrupção de agentes públicos, mas sedimentada em decisões políticas e estratégicas, tanto de policiais como de presidentes (precisamente aqueles que declararam a guerra contra as drogas). Acreditaram que fortalecendo o Cartel de Sinaloa e ajudando no combate aos concorrentes reduziriam a violência dos confrontos (a luta pelos corredores da droga, como acontece aqui, do interior até o porto existe uma trilha de sangue e cocaína), controlariam melhor a sociedade (função primária da repressão), teriam um interlocutor mais claro para negociar, seria tudo menos caótico e mais ordenado. Sinaloa realmente passou a sediar um grande monopólio, mas a associação com o Estado fez com que surgissem concorrentes mais violentos que recorriam ao terrorismo para expor a relação de seu oponente titânico com o Leviatã estatal. Ao mesmo tempo, o gigantismo do cartel trouxe divisões e deu origem a forças militares de elite no mundo do crime.

Aqui ocorre o mesmo, aquela grande sabedoria paulista: uma parte da “linha dura contra o crime” acredita no fortalecimento de uma única facção criminosa para organizar o crime, reduzir a desordem, facilitar negociação e repressão. Repito: acreditaram nisso no México e só serviu para criar oposição terrorista radical ao cartel dominante, surgiram fenômenos como os Zetas (ultra-violentos) e os “Cavaleiros Templários”.

A apologia das milícias (coisa que Bolsonaro já fez) beneficia atividade criminosa em nome do combate ao crime. No México as mudanças no mundo do crime também aumentaram o número de organizações voltadas para a extorsão, o terror e discursos de “proteção”.

Puxar um único fio pode nos revelar muitas possibilidades. Em um comentário, uma escada de desgraças: a guerra política de Bolsonaro, seu ataque ao pacto federativo, a intervenção como arma… até chegar nos riscos relacionados ao crime organizado e o tráfico de drogas.

A política é uma arte de gerir (e de forjar) coincidências. A fortuna pode gerar as possibilidades mais inesperadas para o exercício de poder presidencial. Precisamos parar de nos impressionar; eles sempre guardam uma carta no coturno.

Lembrem-se: ele tem a caneta, o dinheiro e o fuzil.

Com um golpe de caneta, o presidente pode dar um golpe de fuzil. Bolsonaro não trouxe com ele um PMDB, mas um partido militar (não, não me refiro ao PSL). Partido militar que alcança a cadeira presidencial depois de um ciclo de intervenções. A tutela assumiu o gabinete e pelo menos uma parcela do militarismo está no poder. Os gorilas conservadores chegam ao poder devidamente colados no pescoço de Jair.

O gorila continua mostrando os dentes. E, infelizmente, o diagnóstico do último artigo continua verdadeiro: ficamos mais dependentes dos militares conforme eles se convertem no bastião de influência mais razoável desse governo (pelo menos contra as formas mais radicais de entreguismo). A situação é tão grave é que em contraste com a turma da cadeira de praia, os militares representam uma força mais séria, institucional e organizada.

O caminho do Brasil está pavimentado por perigos.

¹http://www.brasil.gov.br/noticias/seguranca-e-justica/2018/12/entenda-a-intervencao-federal-em-roraima BRASIL “Apoio Federal”, Entenda a intervenção federal em Roraima: Intervenção no estado de Roraima passou a vigorar após assinatura de decreto pelo presidente da República, Michel Temer, e publicação no Diário Oficial da União, publicação 19/12/2018 15h44, acesso 05/01/2019 23:30

Leia também – Brasil Sempre: O gorila mostra o dente

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