Ucrânia: golpismo e reação

por Pedro Marin | Revista Opera

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Sem que sequer um tiro fosse disparado, recebendo flores e tirando fotos com cidadãos que pediam, soldados russos chegaram à Crimeia, república autônoma da Ucrânia, cuja formação étnica é feita 60% de russos, tendo somente 25% ucranianos. As manifestações das últimas semanas e o chamado “EuroMaidan” dividiram o país. O Presidente Viktor Yanukovych foi deposto e agora se encontra na Rússia.

O partido do Presidente interino Oleksandr Turchynov, “Batkivshchyna”, tem relações claras com o partido nazista “Svoboda”. Em Outubro de 2012, por exemplo, os partidos assinaram um documento para a criação da “coalizão de forças democráticas do novo parlamento”, junto com o “UDAR”, partido de centro-direita.

Na manhã de sexta-feira uma sinagoga na Crimeia foi pichada com a frase “morte aos judeus”. No começo da semana, a 400 quilômetros de Kiev, uma sinagoga foi bombardeada.

Diplomacia

Obama condenou a intervenção militar russa na Ucrânia e pediu para que Putin retirasse seus soldados da Crimeia. Nessa semana Obama já tinha afirmado que “qualquer violação da soberania e integridade territorial da Ucrânia seria profundamente desestabilizadora” e avisou a Moscou que “haveriam custos” no caso de uma intervenção na país. Oficiais do Governo Americano afirmaram que os “custos” seriam o cancelamento da viagem de Obama à Rússia e o fim de discussões do campo comercial. De qualquer forma, a preocupação com a soberania de um país por parte de Obama nos parece estranha, considerando que seu país segue ocupando o Afeganistão, fazendo provocações na Península Coreana e apoiando os chamados “rebeldes” da Síria, inclusive sob o disparo de mísseis tendo o país como alvo.

A China, peça importante na geopolítica mundial, disse que os EUA devem cessar com sua “política de Guerra Fria” com a Rússia. Muito provavelmente a China se colocará a favor da Rússia, mesmo que somente no campo diplomático, no caso de um conflito entre os Washington e Moscou. Resta saber qual será a posição de Israel; apoiar Kiev, que se encontra sob influência nazista e ultra-nacionalista, ou apoiar a Rússia.

Guerra

Independente da participação militar estado-unidense na Ucrânia, está evidente que haverão conflitos armados em breve – com ou sem a participação dos militares russos. Boa parte da Ucrânia se opõe ao governo golpista. O governo ultra-nacionalista simplesmente não aceitará a existência da Crimeia – território ucraniano autônomo, composto em sua maioria por russos. Sejamos pragmáticos: não é hora de se falar em “respeito à soberania” ou “integridade territorial”, é hora de se combater o nazi-fascismo que se instaura na Ucrânia por meio da força; do golpe. As preocupações não são mais relacionadas às alianças econômicas – apesar de os interesses serem – mas ao cenário catastrófico de guerra instaurado pelos fascistas. Falemos de liberdade, se for o caso: Yanukovych tem ao seu lado a legitimidade da democracia e o respeito à pluralidade étnica e política. O governo de Turchynov, por outro lado, nasceu e se legitima pela violência, e levará, a não ser que derrotado, ao nazi-fascismo. A Rússia perde; quem ganha?