México: Protestos de professores ganham força com previsões de demissões

via Telesur

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(Foto: Lauren McCauley / Common Dreams)

Líderes do sindicato de professores dizem que o governo está negociando com má vontade, prosseguindo com a reforma neoliberal da educação mesmo em negociações com a CNTE.

Aprofundando-se na reforma neoliberal da educação, o governo mexicano confirmou planos para demitir mais de 350 professores no sul do estado de Guerrero, mesmo estando preparados para continuar as negociações segunda-feira com os parentes, professores e ativistas em greve no estado de Oaxaca, que estão protestando contra a reforma do governo há semanas.

Líderes da união nacional dos professores do país (CNTE), convocaram outra grande manifestação segunda-feira à tarde, marchando do Palácio presidencial na Cidade do México, para o Ministério do Interior, onde negociadores da união se encontrarão pela quarta vez com oficiais da educação do governo. O tema é a reforma neoliberal da educação implementada pelo presidente Enrique Peña Nieto. A CNTE alega que as medidas, que expandiram demais avaliações aos professores, falham em melhorar a educação dos estudantes.

Os três encontros anteriores entre a união e o ministro do interior Osorio Chong falharam e não alcançaram resultados significativos, e representantes da CNTE disseram que é preciso dar “um passo concreto para acabar com o impasse”.

Mas o governo parece estar dando passos na direção oposta. De acordo com o jornal mexicano ‘La Jornada’, oficiais da educação prosseguiram com a agenda neoliberal durante o final de semana, anunciando uma nova onda de mais de 500 avaliações de desempenho de professores em Guerrero, um dos estados onde a presença da CNTE é forte.

Professores alegam que as avaliações são punitivas e alguns deles as boicotaram. Oficiais do governo disseram que irão demitir 220 professores em Guerrero por não terem feito a avaliação 7 meses atrás, enquanto outros 123 estão próximos de serem demitidos por faltarem às aulas durante a greve. Mais dezenas estão sujeitos a perderem parte de seus salários por não comparecerem às aulas também durante a greve.

O Ministro da educação Aurelio Nuño recusou um encontro com os professores em greve, a não ser que eles concordem com as reformas antecipadamente, e sábado, 2.500 professores foram às ruas em apoio a luta nacional demandando a saída de Nuño.

Enquanto isso, a CNTE também se juntou em solidariedade às famílias dos 43 estudantes Ayotzinapa desaparecidos em Iguala, Guerrero, em 2014, continuando a pressionar as autoridades por uma investigação independente atrás dos assassinos. Relatos de direitos humanos sugerem que a polícia local parou o ônibus que transportava os estudantes para um comício em homenagem às vítimas de um massacre em 1968 na Cidade do México, e parentes, ativistas e professores acusam o governo de “escreverem sua própria verdade histórica de Ayotzinapa”.

Mais de 100 membros da CNTE juntaram-se às famílias de Ayotzinapa na frente da Procuradoria Geral da República na Cidade do México, segunda-feira, conforme o movimento lançou-se em um “novo estágio” que agora está mais focado em protestos pacíficos do que em encontros com governo que produziram poucos resultados. Representantes de Ayotzinapa acusam repetidamente autoridades por “falhar em seguir promessas feitas atrás das portas”.

Os manifestantes de Ayotzinapa acusaram um advogado da Procuradoria Geral, Tomas Zeron, de manipular evidências em prol das alegações do governo de que 43 estudantes foram queimados em um depósito de lixo em Cocula, depois de terem sido sequestrados pela polícia local e entregues a gangue “Guerreros unidos”.
Especialistas internacionais da Argentina, Austria e a Comissão Inter-americana de Direitos Humanos providenciaram evidências que refutam a teoria do depósito de lixo e coloca policiais federais na cena do crime. As famílias demandam que Zeron seja removido do cargo.

Após o ato em Ayotzinapa, a CNTE planejou uma marcha na Cidade do México às 4 da tarde (horário local) em apoio ao processo de diálogo frente ao encontro marcado às 5 com o Ministro do Interior. Outra marcha do CNTE, desta vez no Senado na Cidade do México, marcada para quarta-feira às 10 da manhã do horário local.

Enquanto isso, bloqueios em Oaxaca estão em andamento, com o suporte do movimento Zapatista, fornecendo várias toneladas de alimentos e suprimentos em meio a violentos confrontos no mês passado que deixaram 6 civis mortos. Defensores dos direitos humanos acusaram o governo de uso excessivo da força, prisões arbitrárias, e “assassinatos extra-judiciais” durante os protestos em Nochixtlan.

A CNTE ergue esforços para a luta nacional em revogar as reformas neoliberais e não os interesses de sindicatos locais.