Mães de menores que ainda estão nas fileiras das FARC-EP enviam carta a governo colombiano

No dia da devolução, os menores, famílias e comandante estavam a postos, mas governo colombiano e a Cruz Vermelha não compareceram para procedimento formal - Por Mariana Ghirello

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A entrega dos menores de idade que estão nas fileiras das FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colombia – Exército do Povo) não aconteceu como previsto para algumas famílias. O ato formal estava marcado para este último sábado (10/9) e deveria ser acompanhado pelo governo colombiano e o comitê Internacional da Cruz Vermelha, que não compareceram ao ato para a devolução dos integrantes da coluna Teófilo Forero Castro das FARC-EP.

Passados três dias da data formal de entrega, as famílias decidiram escrever uma carta ao presidente Juan Manoel Santos e o integrante da Comissão para os diálogos de paz, Frank Pear, pedindo uma nova data para o procedimento formal e o comparecimento do governo e da Cruz Vermelha “de forma imediata” com o objetivo de ter seus filhos de volta.

Na carta, elas afirmam que viajaram mais de oito horas para chegar ao ponto de entrega e que não possuem recursos suficientes para estadia e os deslocamentos, exigindo que o governo cumpra com sua parte do acordo. “Somos famílias de baixos recursos e nossas condições de estar neste lugar são precárias, o que nos mantém é o nosso desejo de ver nossos filhos”, dizem.

As mulheres que assinam o documento também destacam a cooperação e compromisso da guerrilha, e afirmam que o governo também deve cumprir com sua parte dentro do que foi acordado, comparecendo ao local. “Fazemos um chamado urgente para que se comuniquem”, finaliza o documento assinado com um número de telefone.

Acordo de paz  

No último sábado (10/9), a Cruz Vermelha chegou a anunciar em suas contas nas redes sociais que já estava em poder de 13 menores e que eles seriam encaminhados a uma equipe da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Desde maio deste ano, um dos pontos do acordo de paz acordado em Havana entre o grupo insurgente e o governo colombiano foi o fim do alistamento e devolução dos menores de idade às suas famílias, o ato foi adiado por decisão conjunta do governo e das FARC-EP.

A Cruz Vermelha informou à reportagem, por telefone, que não foi avisada e não tem conhecimento deste caso.