Líderes das FARC-EP chegam à Colômbia para X Conferência Guerrilheira

Juan Manuel Santos reconhece culpa do Estado nos assassinatos de integrantes da União Patriótica. Por Mariana Ghirello | Brasil de Fato e Revista Opera

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(Foto: Boris Arenas / Wikipedia Commons)

Começa neste sábado (17/9) a X Conferência Guerrilheira das FARC-EP (Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia – Exército do Povo) nos Llanos de Yarí, no estado de Caquetá, Colômbia. Esse será o último encontro oficial da insurgência como grupo armado, e nele deverão ser apresentados aos delegados regionais os próximos passos do grupo e detalhes do acordo assinado com o governo colombiano.  Ao todo, estão credenciados mais de 300 veículos e quase mil jornalistas do mundo todo para o encontro.

O primeiro a chegar no local do evento foi o comandante máximo das FARC-EP, Timoleón Jiménez, conhecido também como Timochenko, que comandará a conferência. Nas fotos divulgadas em sua conta no twitter, ele aparece com os outros guerrilheiros na última terça-feira em Caquetá. Um dia depois, chegaram outros líderes que também compõem a delegação que estava em Havana, comandados por Iván Márquez.

Comandante máximo das FARC-EP, Timoleón Jiménez, e outros guerrilheiros chegam a 10º Conferência Guerrilheira das FARC-EP. (Foto: Reprodução/Twitter)
Comandante máximo das FARC-EP, Timoleón Jiménez, e outros guerrilheiros chegam a 10º Conferência Guerrilheira das FARC-EP. (Foto: Reprodução/Twitter)

Segundo Pastor Alape, também integrante da delegação das FARC-EP de Havana, nas conferências anteriores o tema central eram estratégias militares e rumos da guerrilha. “E nesta conferência estamos articulando processos e iniciativas para a paz e o aumento da democracia na Colômbia”. De acordo com outro integrante da delegação, Ricardo Téllez, “a Colômbia se prepara para seu maior salto na história depois das guerras de independência”.

O comandante da Frente de Daniel Aldaña, Leonel Páez, destacou que o momento histórico e a X Confêrencia representa a mudança da luta armada pela luta política. “Essa é uma das alternativas que sempre estivemos buscando desde a origem”, reforçou. Já Mario Moralez, da Frente 37 do Bloco de Magdalena Medio, afirmou que assim que souberam da X Conferência se mobilizaram para poder acompanhar.

União Patriótica

Nesta quinta-feira (15/9), o presidente Juan Manuel Santos reconheceu a responsabilidade do Estado no genocídio de integrantes do partido político de esquerda União Patriótica nos anos 80 e 90. O partido foi fruto de um processo de paz no governo do então presidente colombiano Belisário Betancour com as FARC-EP, ELN (Exército de Libertação Nacional), e outros grupos guerrilheiros, além do Partido Comunista.

O partido foi uma alternativa política às armas, que após eleger diversos candidatos em vários níveis políticos no país, teve seus membros como alvos de inúmeros assassinatos por parte de grupos paramilitares de extrema direita, do exército colombiano e narcotraficantes. O partido chegou a perder os direitos políticos pelo Conselho do Estado após não obter um número de congressistas suficientes, mas em 2013 a mesma entidade devolveu os direitos e reconheceu que o extermínio sistemático o prejudicou.

Próximos passos

Está confirmado para o próximo dia 26 de setembro a assinatura do acordo final entre o governo colombiano e as FARC-EP em Cartagena, costa colombiana. E o evento acontece seis dias antes do plebiscito, quando a população votará pelo sim ou pelo não na pergunta “Você apoia o acordo final para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura?”.

*Com informações NC Noticias