Em meio a tensão diplomática, Exército da Síria declara fim de cessar-fogo no país

por Pedro Marin | Revista Opera

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(Foto: Christiaan Triebert / Wikipedia Commons)

Culpando “grupos terroristas”, o exército sírio declarou no último domingo (18) o fim do cessar-fogo no país, acordado entre os EUA e a Rússia.

Por meio de um documento oficial, o Exército da Síria declarou ter “demostrado o maior nível de resistência em confrontar os abusos de grupos terroristas”, dizendo ainda que o número de violações por parte dos grupos passou de 300.

“Era esperado que o cessar-fogo representasse uma chance real de acabar com o derramamento de sangue, mas os grupos terroristas não aderiram a nenhum dos pontos do acordo”, afirmou o exército, declarando ainda que “grupos armados terroristas se aproveitaram do cessar-fogo declarado” para se reagrupar.

Apesar da declaração do exército sírio, o Secretário de Estado norte-americano John Kerry disse que não perderá as esperanças de que o cessar-fogo siga.

Tensão

Estabelecido no último dia 11, o cessar-fogo tem sido alvo de polêmicas entre Rússia, EUA, e Síria, desde que bombardeios norte-americanos contra tropas sírias mataram cerca de 90 soldados. A Síria acusou os EUA de colaborar com o Estado Islâmico (EI), já que logo após o bombardeio houve uma ofensiva do grupo terrorista contra o exército sírio, e o que os EUA disseram ser um “acidente” gerou uma elevação de tensão entre EUA e Rússia.

Durante um discurso na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada pela Rússia após o bombardeio, a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Samantha Power, disse que a Rússia deveria estar “envergonhada” por acusar os EUA de colaborar com o EI.

A declaração gerou uma resposta da porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, que convidou Power a “visitar a Síria” para “ver o que envergonhado significa”: “Eu recomendo que você vá a Síria para conversar com as pessoas. E com isso não quero dizer os militantes da Frente Al-Nusra, nem a oposição moderada, cuja situação humanitária tanto preocupa Washington. […] Eu me refiro ao povo, que continua a viver lá apesar do experimento sangrento que tem sido feito contra sua pátria por mais de seis anos, com a participação ativa de Washington.”

Zakharova prometeu ainda pagar os gastos da viagem, e sugeriu que fossem juntas: “Diga sim. Não fique assustada. Ninguém encostará em você comigo presente. A não ser, é claro, que o seu pessoal ‘acidentalmente’ bombardeie o alvo errado de novo”.