O que planejamos para 2017

por Pedro Marin | Revista Opera

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2016 foi um ano muito conturbado para a Opera e, ao mesmo tempo, um ano muito especial.

Em janeiro nosso trabalho foi paralisado após termos sofrido uma ameaça de processo, de forma que só retornamos em junho. Com a volta, no entanto, contamos com o apoio de muitos leitores e outros veículos, como a TVDrone, que nos possibilitou iniciar a gravação do programa Posto Sul. Contamos também com uma parceria com o jornal Brasil de Fato, em setembro, para a cobertura dos processos de paz na Colômbia, pela correspondente brasileira Mariana Ghirello.

Em outubro, após a prisão do ex-combatente brasileiro na Ucrânia, Rafael Lusvarghi, denunciamos que a empresa responsável por sua viagem (e consequentemente sua prisão) tinha ligações com o serviço de inteligência ucraniano – mas alguns dias depois sofremos ataques que derrubaram nosso site. Nossa cobertura deste caso, que foi exclusiva, nos rendeu um convite de um veículo do grande monopólio de imprensa do Brasil para algumas entrevistas – convite que recusamos, por questões de princípio.

De qualquer maneira, a partir deste momento, quando tivemos de investir em uma estrutura mais confiável para o site com o objetivo de evitar outros ataques, entendemos que precisamos de um modelo sustentável para Opera, e por isso nos dedicamos a criar mecanismos que possibilitassem a sustentabilidade financeira de nosso site sem a perda da independência – criamos então o Clube da Opera, que tem tido um apoio tremendo de nossos leitores, e a Livraria da Opera, que também tem dado um retorno bom.

As iniciativas, apesar de estarem garantindo a operação normal do site, não são suficientes para pagar pelo trabalho de nenhuma das pessoas que fazem a Opera existir (inclusive eu), que têm também de se dedicar a seus empregos, o que prejudica nossa cobertura.

Por isso, para 2017, pretendemos efetivamente profissionalizar nosso trabalho. Em abril completaremos cinco anos fazendo um jornalismo independente, popular e contra-hegemônico, e realizaremos um evento em São Paulo, com palestras e debates, para comemorar. Nele, lançaremos também uma campanha de arrecadação para um grande documentário internacional.

Durante o ano, apostaremos também na realização de outros eventos para financiar nosso trabalho diário, e lançaremos algumas publicações, por meio da Editora Baioneta, também com esse objetivo.

No que se refere à cobertura jornalística em si, continuaremos nosso trabalho internacional e teremos também reportagens especiais da Ásia. Com o apoio de nossos leitores, no entanto, pretendemos também nos dedicar mais à cobertura do cenário nacional, que em 2017, sem dúvida, terá um salto nas lutas populares.

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23 anos, é editor-chefe e fundador da Revista Opera. Foi correspondente na Venezuela pela mesma publicação, e articulista e correspondente internacional no Brasil pelo site Global Independent Analytics. Tem artigos publicados em sites como Truthout, Russia Insider, New Cold War, OffGuardian, Latin America Bureau, Konkret Media e Periferia Prensa. É autor de "Golpe é Guerra - Teses para enterrar 2016".