Coreia do Norte: conquistas em saúde e educação

por Michel Chossudovsky | Global Research - Tradução de Gabriel Deslandes

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(Foto: Nicor / Wikicommons)

O governo norte-coreano, segundo a imprensa ocidental, segue oprimindo e empobrecendo sua população. De acordo com a U.S. News & World Report, “a Coreia do Norte é um dos lugares mais miseráveis ​​do mundo. O padrão de vida se deteriorou a níveis extremos de privação, em que o direito à segurança alimentar, à saúde e a outras necessidades mínimas de sobrevivência humana é negado”.

“Aqui nos EUA contamos com o Medicare, todos os nossos filhos são educados, todos somos alfabetizados e todos queremos viver na América. E na RPDC, o sistema de saúde é péssimo, eles não têm escolas e leitos hospitalares e são todos um monte de analfabetos. Você não gostaria de morar lá!” (paráfrase do autor).

Sob a montanha de desinformação da mídia, há mais do que se aparenta. Apesar das sanções e ameaças militares, sem mencionar a intenção fracassada de organizações “respeitáveis” de direitos humanos (incluindo a Anistia Internacional) de distorcer os fatos, o “sistema de saúde da Coreia do Norte é invejado pelo mundo em desenvolvimento”, segundo a ex-diretora-geral da Organização Mundial da Saúde: “Diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que o país não enfrenta ‘falta de médicos e enfermeiras’.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o relatório da Anistia Internacional sobre o sistema de saúde da Coreia do Norte não é científico e está desatualizado.

A Anistia afirmou que a Coreia do Norte não está conseguindo atender às necessidades básicas de saúde de seu povo. O relatório da Anistia é baseado em entrevistas com 40 desertores norte-coreanos e profissionais da saúde estrangeiros.

Em abril, a diretora da OMS visitou a Coreia do Norte e disse que seu sistema de saúde era o motivo de inveja pelo mundo em desenvolvimento.”

Saúde: RPDC vs. EUA

Enquanto Margareth elogia a Coreia do Norte, a OMS adverte os EUA por “não contar com uma cobertura universal de saúde”:

“‘Os EUA também são o único país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sem cobertura universal de saúde e têm a maior parcela de necessidades de saúde não atendidas devido a custos financeiros. Os EUA têm não só altas e crescentes desigualdades em matéria de saúde, mas também a expectativa de vida estagnou ou até mesmo diminuiu em alguns subgrupos da população’, disse o documento da pesquisa.

“Portanto, o fraco desempenho recente e projetado dos EUA se deve, pelo menos em parte, à alta e desigualdade na mortalidade por doenças crônicas e violência, e à assistência médica insuficiente e desigual’”.

Vamos olhar para as seguintes cifras. A Divisão Federal de Pesquisas da Biblioteca do Congresso, citando fontes oficiais, concorda:

“A Coreia do Norte tem um serviço médico nacional e um sistema de seguro de saúde. Em 2000, cerca de 99% da população tinha acesso a saneamento e 100% tinham acesso à água, mas a água nem sempre era potável. O tratamento médico é gratuito. No passado, havia um médico para cada 700 habitantes e uma cama de hospital para cada 350 habitantes.”

“Em 2006, a expectativa de vida era estimada em 74,5 anos para mulheres e 68,9 para homens, ou quase 71,6 anos no total.”

Maior do que na maioria dos países em desenvolvimento. Menor que nos Estados Unidos. Podemos confiar em fontes oficiais dos EUA e da ONU? Ah, nos Estados Unidos, temos o Medicare…

Educação: RPDC vs. EUA

E sobre suas escolas degradadas, servindo uma população norte-coreana analfabeta?

Segundo a Unesco, a educação pública na República Democrática Popular da Coreia (RPDC) é universal e totalmente financiada pelo Estado. De acordo com fontes oficiais do governo americano (Divisão Federal de Pesquisa da Biblioteca do Congresso): “A educação na Coreia do Norte é, há 11 anos, gratuita, obrigatória e universal dos quatro aos 15 anos de idade nas escolas estatais. A taxa nacional de alfabetização para os cidadãos com 15 anos de idade ou mais é de 99%. (Biblioteca do Congresso, Divisão Federal de Pesquisa, p. 7)

Em contraste, nos EUA, de acordo com pesquisas do Departamento de Educação dos EUA, a taxa de analfabetismo de adultos (16 anos ou mais) é da ordem de 13,6% e 14,5%, dependendo do critério (nos dados de 2003): “Há uma taxa de alfabetização de adultos de 99% na Coreia do Norte, em comparação com cerca de 86% nos EUA”.

Isso parece loucura! Quem está brincando com os dados? Essas são todas as estatísticas oficiais da ONU e do governo americano.

“As estimativas nacionais diretas das percentagens de adultos sem BPLS (habilidades básicas de alfabetização em prosa) são 14,5% na Avaliação Nacional da Alfabetização de Adultos (NAAL) de 2003 e 14,7% na avaliação de 1992. Em comparação, as estimativas diretas nacionais dos percentuais de americanos abaixo do índice básico de alfabetização em prosa são de 13,6% na NAAL e de 13,8% na Pesquisa Nacional sobre Alfabetização de Adultos (NALS). (Centro Nacional de Estatísticas de Educação)

O sucesso educacional medido em termos de alfabetização de adultos na RPDC é maior do que nos Estados Unidos da América? E como eles alcançaram esse desempenho com um regime sob sanções econômicas que se estenderam por um período de mais de 20 anos?

História: Até 30% da população norte-coreana foi morta durante a Guerra da Coreia (1950-53)

Apenas algumas estatísticas adicionais a respeito da “expectativa de vida” na RPDC, resultantes das guerras lideradas pelos EUA (1950-53), sem mencionar o “fogo e fúria” apregoado por Trump.

“Depois de destruir 78 cidades da Coreia do Norte e milhares de suas aldeias e matar um número incontável de seus civis, LeMay comentou: ‘Em um período de três anos ou mais, matamos quase 20% da população’.” (confira  o artigo do veterano de guerra, Brian Willson, Korea and the Axis of Evil, Global Research, abril de 2002)

De acordo com Dean Rusk, que mais tarde se tornou secretário de Estado, os EUA bombardearam “tudo o que se movia na Coreia do Norte, cada tijolo de pé em cima do outro”. Acredita-se agora que o território ao norte do paralelo 38 perdeu quase 1/3 de sua população de 8-9 milhões de pessoas durante os 37 meses de guerra “quente” entre 1950 e 1953, um percentual talvez sem precedentes de mortes sofridas por uma nação devido à beligerância de outra.

Até a Newsweek reconhece tacitamente que os EUA cometeram extensos crimes de guerra contra o povo coreano:

“Em uma entrevista em 1984, Curtis LeMay, general da Força Aérea e chefe do Comando Aéreo Estratégico durante a Guerra da Coreia, afirmou que as bombas americanas ‘mataram 20% da população’ e ‘atacaram tudo o que se movia na Coreia do Norte’. Esses atos, amplamente ignorados pela memória coletiva dos EUA, contribuíram profundamente para o desprezo de Pyongyang pelos EUA e, especialmente, por sua presença militar em curso na Península Coreana.

“A maioria dos americanos desconhece completamente que destruímos mais cidades na Coreia do Norte do que no Japão ou na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial… Todo norte-coreano sabe disso, é algo que está em suas mentes. Nós nunca ouvimos falar sobre isso”, disse o historiador e escritor Bruce Cumings à Newsweek por e-mail na segunda-feira.”

Enquanto a Newsweek nesse artigo está dizendo a verdade, geralmente a mídia americana não conseguiu informar os americanos sobre os extensos crimes de guerra cometidos contra o povo coreano por sucessivos governos em Washington.

Não está na memória coletiva dos EUA, conforme apontado pela Newsweek, mas certamente está na memória coletiva dos habitantes da RPDC. Não há uma única família na Coreia do Norte que não tenha perdido um ente querido durante os 37 meses de extenso bombardeio nos EUA (1950-53). Coloque-se no lugar deles.

Pyongyang, capital da Coreia do Norte, em 1953, quase totalmente destruída pelos bombardeios norte-americanos durante a Guerra da Coreia:

Pyongyang hoje, reconstruída:

Pyongyang, hoje reconstruída, dissipa o mito de uma sociedade urbana atrasada. Trump queria reduzir Pyongyang a escombros. As torres de Pyongyang competem com a Trump Tower de Manhattan? Pergunte a Donald Trump.