Príncipe saudita tenta “comprar” o embarque palestino no “Acordo do Século”

por Fabiano Post | Revista Opera

0
616
(Foto: Presidência da Rússia)
A Arábia Saudita, em uma tentativa desesperada contra o tempo, ofereceu 10 bilhões de dólares à Autoridade Palestina (AP) para aceitar e embarcar no chamado “Acordo do Século”, costurado por Jared Kushner, conselheiro sênior da Casa Branca e genro de Trump, o “criador” do natimorto plano de estabelecer a paz no Oriente Médio.

O acordo prevê “melhorias” no dia-a-dia e “ganhos” econômicos aos palestinos, porém não garante um estado Palestino autodeterminado e soberano, o que tende a inviabilizar a adesão dos palestinos. O acordo garante, e esse é sua principal finalidade, uma maior segurança para Israel e um engessamento permanente dos territórios palestinos ocupados.
A oferta foi feita à Autoridade Palestina durante uma reunião, na quarta-feira (1), entre o príncipe herdeiro saudita Muhammad Bin Salman – aquele mesmo que chamou Donald Trump de “verdadeiro amigo dos muçulmanos” – e o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Segundo fontes, Salman informou Abbas sobre os detalhes do “plano de paz” e pediu-lhe para aceitá-lo.
Salman ofertou ao presidente palestino 10 bi de dólares, diluídos em dez anos, com a condição de aceitar o “acordo do século” e a alocação da base do governo palestino na aldeia de Abu Dis, no distrito central ocupado da Cisjordânia, em Jerusalém, ao invés de Jerusalém Oriental, reivindicada pela Autoridade Palestina.
Abbas rejeitou a oferta saudita, dizendo que aceitá-la “significaria o fim de sua vida política”. Autoridades palestinas ainda não se manifestaram oficialmente sobre o assunto.
Abbas confirmou ao príncipe Salman que “os EUA não fariam nenhum tipo de propostas escritas ou sérias” e deixou claro que se a AP for forçada a aceitar uma proposta inadequada, ela dissolverá suas instituições – o que inevitavelmente criaria um caos na região – forçando Israel a assumir a responsabilidade dos territórios palestinos ocupados.
Em abril, Jared Kushner disse que o governo dos EUA apresentaria o plano após o feriado muçulmano do Ramadã, no início de junho.
A Autoridade Palestina tem boicotado o governo dos EUA desde dezembro de 2017, quando Donald Trump teve a ideia de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel – ateando fogo nas negociações de paz – transferindo a embaixada norte americana de Tel Aviv para Jerusalém em maio de 2018.
Após as recentes tensões e o inegável apoio da administração Trump ao estado de Israel, os palestinos encerraram a comunicação com os EUA e declararam Washington inábil de ser um mediador do processo de paz israelo-palestino.
Com informações: Al-Akhbar – agência de notícias libanesa
COMPARTILHAR
AnteriorVenezuela: As razões e efeitos do “golpe pela metade”
PróximoEUA: Estudo revela que 0% dos colunistas da grande imprensa são contra a mudança de regime na Venezuela
Periodista e social-democrata adepto do reformismo. Acredita que "um outro mundo é possível". Repudia o imperialismo e ingerências estadunidenses pelo planeta. Escreve desde 2013 com foco em Direitos Humanos, cultura e política internacional com pesquisas voltadas para o Oriente Médio, principalmente a estoica resistência persa e palestina em sua luta contra o estrangulamento e opressão chancelados pelo imperialismo internacional e o sionismo judeu. Tem artigos publicados nos portais Vice, Global Voices, Noize, Sul 21, entre outros.