Livro sobre caso Amarildo será lançado nesta segunda-feira no Rio

por Pedro Marin | Revista Opera

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(Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

Comparado aos tsunamis contínuos de hoje, o cenário político brasileiro em 2013 era de fato, em larga medida, constituído de marolinhas. Na presidência, Dilma Rousseff cumpria o segundo ano de seu primeiro governo, caracterizado por uma transição mais ou menos suave do segundo governo Lula. A hollywoodiana Operação Lava-Jato era um filme ainda por nascer, no máximo um esboço bem desenhado na cabeça de seu roteirista. As palavras de ordem oficiais de um País que começara a explorar o muito comentado pré-sal e que se preparava para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas eram “crescimento” e “esperança”.

Essa calmaria aparente, no entanto, foi às favas quando veio a tempestade-junho. As chamadas Jornadas daquele ano foram um daqueles períodos em que o tempo histórico avança mais rápido que o tempo natural – os dias viram semanas, as semanas viram meses, e alguns meses tomaram forma de décadas. Na correria da história, uma história ficou para trás, ainda que, naqueles meses, tivesse todos os holofotes do tempo sobre si.

O pedreiro, filho de um pescador com uma empregada, analfabeto e ex-vendedor de limões, Amarildo Dias de Souza, de 43 anos, desapareceu em 2013, no dia 14 de julho, quando foi comprar alho… e limões. Queria temperar o peixe que havia pescado no dia, como seu pai fez na vida, quando foi pego por policiais na favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro. Os policiais foram os últimos a vê-lo.

“Quando cheguei lá e perguntei ‘por que vocês pegaram o meu marido?’, eles disseram: ‘Bete, ele não tem nada contra a Justiça. Você vai para casa, que nós vamos liberar ele’. E eu disse ‘não vou’, e continuei ali. Eles levaram meu marido, colocaram dentro da UPP e eu fiquei ali do lado de fora. […] E eu fiquei ele ali esperando. Meu filho, Amarildo saiu de bermuda e sandália, sem camisa, ele tinha ido comprar alho e limão! E dali, desde então, sumiu!”, conta sua esposa, Elizabete Gomes da Silva, em entrevista exclusiva ao sociólogo e jornalista Leandro Resende no livro “Cadê o Amarildo? – O desaparecimento do pedreiro e o caso das UPPs“, que será lançado nesta segunda-feira.

No livro, originalmente escrito como tese de mestrado defendida no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Leandro resgata o caso do desaparecimento do pedreiro, que motivou protestos, cartazes, pichações, hashtags internacionais, calúnias, condenações, absolvições, indenizações não pagas e um “longo ciclo de dor”, como coloca o autor. Mais do que isso, analisa os efeitos práticos que o caso teve para a “marca” das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro.

Serviço
Lançamento e debate: “Cadê o Amarildo? – O desaparecimento do pedreiro e o caso das UPPs”
Data: Dia 20/05/2019, às 19h00.
Endereço: Auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Rua Evaristo da Veiga, 16 – Centro – 17º andar. CEP: 20031-040

Sobre o livro
Autor: Leandro Resende
ISBN: 978-85-85338-01-5
Editora: Baioneta
Páginas: 204
Edição: 1
Ano: 2019
Preço de capa: R$ 42,00
Disponível online na Livraria da Opera