EUA: A guerra contra a Huawei é a mesma travada contra a japonesa Toshiba nos anos 1980

por Okwonkwo | Checkpoint Asia – Tradução de Gabriel Deslandes

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1963
(Foto: Wikimedia Commons)

Toshiba ontem, a Huawei hoje! Há 30 anos, a japonesa Toshiba exportou instrumentos de precisão para a União Soviética. Os Estados Unidos impuseram as seguintes penalidades ao Grupo Toshiba:

1.) O Departamento de Polícia do Japão foi pressionado a prender Erhe Lin, presidente da Toshiba Machinery Foundry, e Hiroshima Tanamura, presidente da Machine Tool Business, e sentenciá-los a dez anos de prisão.

2.) A fábrica da Toshiba nos Estados Unidos foi fechada.

3.) Foi instituída uma tarifa de 100% sobre os produtos Toshiba vendidos para os Estados Unidos.

4.) Como uma punição alternativa à anterior, as exportações da Toshiba para os Estados Unidos ficaram proibidas por cinco anos.

5.) Uma enorme multa de 1 trilhão de ienes foi imposta à Toshiba, equivalente a 16 bilhões de dólares hoje.

Para acalmar a ira dos Estados Unidos, o Japão impôs severas penalidades ao Toshiba Group:

1.) A indústria de semicondutores do Japão compartilharia tecnologia incondicionalmente com empresas americanas.

2.) A Toshiba gastou 100 milhões de ienes para publicar uma propaganda com pedido de desculpas de página inteira em todos os principais jornais dos Estados Unidos.

3.) A Associação de Semicondutores do Japão investiu 9 milhões de dólares para lançar várias relações de lobby no Congresso americano, e esse lobby se tornou a guerra de lobbies mais custosa da história.

4.) O presidente e gerente-geral do Grupo Toshiba se demitiu.

5.) Por uma ordem administrativa emitida pelo Ministério das Comunicações, a Toshiba foi proibida de exportar quaisquer produtos para 14 países por um período de um ano.

Em 1987, o Congresso americano impediu a Toshiba de exportar produtos para os EUA, ficando famosas as imagens de congressistas republicanos no Capitólio esmagando um rádio da Toshiba.

Os Estados Unidos são os mestres do Japão, e o Japão só pôde pedir desculpas, o que levou a Toshiba a gradualmente perder sua glória do passado.

A Toshiba era a promessa da indústria de ciência e tecnologia do Japão e também a esperança e o pilar da indústria japonesa. Depois de sofrer um duro golpe nos Estados Unidos, a Toshiba declinou completamente.

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Os EUA atacaram a Toshiba não porque vendeu equipamentos para a União Soviética, mas porque ela afetou os interesses americanos. Os EUA acreditavam que a indústria de semicondutores do Japão, representada pelo Grupo Toshiba, ameaçava seriamente seus interesses econômicos, enquanto o plano japonês de fabricação de produtos de alta tecnologia desafiava a hegemonia tecnológica dos EUA.

Olhando para trás, há mais de 30 anos, a experiência da Toshiba no Japão, e observando o que os Estados Unidos estão fazendo hoje, há, de fato, muitas semelhanças.

Os EUA não permitem que sua indústria de ponta seja desafiada, nem permitem que sua hegemonia tecnológica seja contestada. Os americanos esperam que os demais países trabalhem para os EUA, e nunca permitirão que outras nações se tornem acionistas dos interesses americanos. Agora o alvo é a Huawei!

1 COMENTÁRIO

  1. […] >>> Ótima dica do André Motta sobre o paralelo entre Toshiba na década de 80 e a Huwaei de agora: “Toshiba ontem, a Huawei hoje! Há 30 anos, a japonesa Toshiba exportou instrumentos de precisão para a União Soviética. Os Estados Unidos impuseram as seguintes penalidades ao Grupo Toshiba: 1.) O Departamento de Polícia do Japão foi pressionado a prender Erhe Lin, presidente da Toshiba Machinery Foundry, e Hiroshima Tanamura, presidente da Machine Tool Business, e sentenciá-los a dez anos de prisão. 2.) A fábrica da Toshiba nos Estados Unidos foi fechada. 3.) Foi instituída uma tarifa de 100% sobre os produtos Toshiba vendidos para os Estados Unidos. 4.) Como uma punição alternativa à anterior, as exportações da Toshiba para os Estados Unidos ficaram proibidas por cinco anos. 5.) Uma enorme multa de 1 trilhão de ienes foi imposta à Toshiba, equivalente a 16 bilhões de dólares hoje.” [Revista Ópera] […]