Coreia: um pouco de história explica tudo

por Dana Visalli | Global Research - Tradução de Igor Galvão para a Revista Opera

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O general norte-americano Douglas MacArthur e o primeiro presidente sul-coreano, Syngman Rhee.

Como diz o ditado tradicional, “não é o conhecido que te coloca em apuros, mas o que você sabe que não é conhecido.” Se os americanos ‘sabem’ alguma coisa sobre a Coreia, é que os norte-coreanos começaram a Guerra da Coreia em 1950 quando invadiram a Coreia do Sul através do paralelo 38, e que após três anos de combate, a fronteira se estabeleceu novamente na mesma linha. A realidade do conflito entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul é muito mais complexa e muito mais interessante do que aquela história simplista.

Um bom ponto de partida para entender o conflito permanente entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul é o acordo entre os Estados Unidos e o Japão em 1905, conhecido como Acordo Taft-Katsura, que foi assinado quando o Japão estava derrotando a Rússia em 1904/05 na Guerra russo-japonesa. Nesse documento, os EUA concordaram com a colonização japonesa da Coreia em troca da ocupação americana do Havaí (que os EUA anexaram em 1898) e as Filipinas (que os EUA haviam adquirido em um saque em 1898, no final da guerra hispano-americano). Os coreanos não foram consultados sobre esse acordo.

Em 1910, o Japão anexou a Coreia, tornando-a uma colônia subserviente; isso também foi sancionado pelos EUA no Acordo Taft-Katsura cinco anos antes. O domínio japonês foi brutal: estima-se que pelo menos 18 mil coreanos foram mortos por resistirem à ocupação. Os coreanos foram forçados a ter nomes japoneses e a falar apenas japonês, os rapazes coreanos foram forçados a servir nas forças armadas e enviados ao Japão para trabalhar por salários de escravos, e dezenas de milhares de mulheres coreanas foram forçadas à escravidão sexual, para o prazer dos homens japoneses.

Não surpreendentemente, quando o Japão se rendeu aos EUA e seus aliados em 15 de agosto de 1945, os coreanos ficaram entusiasmados com essa aparente libertação da opressão japonesa. Eles estavam prontos e dispostos a formar seu próprio governo: o Comitê para a Preparação da Independência Coreana (CPIC), formado rapidamente, organizou comitês populares em todo o país para coordenar a transição para a independência. Em 28 de agosto de 1945, o CPIC anunciou que funcionaria como o governo nacional temporário da Coreia. Em 6 de setembro, delegados de toda a Coreia, tanto ao norte quanto ao sul da linha de demarcação artificialmente imposta, se reuniram em Seul para criar a República Popular da Coreia. Coincidentemente, o anúncio dos coreanos de sua independência unificada ocorreu apenas quatro dias após a declaração de independência unificada de Ho Chi Minh para todo o Vietnã.

Mas os Estados Unidos tinham um plano diferente para a Coreia. Na conferência de fevereiro de 1945 em Yalta, o presidente Roosevelt sugeriu a Stalin, sem consultar os coreanos, que a Coreia fosse colocada sob tutela conjunta após a guerra antes de obter sua independência. Em 11 de agosto, dois dias depois que a segunda bomba atômica foi lançada, garantindo assim a iminente rendição do Japão, e três dias depois que forças russas entraram na Manchúria e na Coreia para expulsar os japoneses como foi acordado para evitar mais baixas dos EUA, Truman apressadamente ordenou ao seu Departamento de Guerra que escolhesse uma linha divisória para a Coreia. Dois jovens coronéis receberam 30 minutos para resolver o problema. O paralelo 38 foi rapidamente escolhido. Surpreendentemente, Stalin concordou com essa partição “temporária”. Em 15 de agosto, o governo militar do Exército dos Estados Unidos na Coreia foi formado e em 8 de setembro, 72 mil tropas americanas começaram a chegar para impor a ocupação formal do sul.

O general Douglas MacArthur, como comandante das potências aliadas vitoriosas no Pacífico, formalmente emitiu uma proclamação dirigida “Ao povo da Coreia”, anunciando que as forças sob seu comando “ocuparão hoje o território da Coreia ao sul de 38 graus de latitude norte”. Ironicamente, a Coreia, que não foi agressora durante a Segunda Guerra Mundial e ao longo da história, agora estava dividida, enquanto o Japão permanecia intacto.

Os EUA entenderam que, se fosse para afirmar o controle capitalista de estilo ocidental na Coreia, ele teria que derrotar, e então eliminar a República Popular da Coreia, que tinha base ampla, popular, democrática e com tendências socialistas. Em vez de repatriar os japoneses, como mandado, o governo militar dos EUA, dirigido por 2.000 oficiais dos norte-americanos, a maioria dos quais não conseguia falar ou entender o idioma coreano, recrutou-os rapidamente e seus colaboradores coreanos para continuar em funções administrativas. Notoriamente, o governo militar dos EUA reviveu a temida polícia colonial japonesa, a Polícia Nacional da Coreia. Cerca de 85% dos coreanos que serviram na força policial colonial japonesa foram rapidamente empregados pelos EUA para cuidar da Polícia Nacional da Coreia.

Os EUA organizaram apressadamente os coreanos conservadores ricos que representavam a tradicional elite proprietária de terras e, em 16 de setembro, formaram o Partido Democrático Coreano. Identificaram rapidamente “várias centenas de conservadores” entre os coreanos mais velhos e mais instruídos que serviram aos japoneses, que poderiam servir como núcleo para o partido recém formado. Estes eram os coreanos que tinham enriquecido como conseqüência de anos de colaboração com seus colonizadores japoneses.

Em 12 de outubro, os EUA transportaram o coreano-americano Syngman Rhee de Washington – onde ele havia vivido nos últimos 40 anos – para Seul, para chefiar esse novo governo. Em 12 de dezembro de 1945, o governo militar dos EUA proibiu a República Popular da Coreia e todas as organizações e atividades relacionadas aos povos locais, provinciais e nacionais, incluindo todos os sindicatos. Se a República Popular da Coreia tivesse sido capaz de seguir com seu plano de uma Coreia unificada, é quase certo que o comunista Kim Il-sung teria sido eleito presidente sobre uma Coreia unificada (assim como Ho Chi Minh teria vencido se houvesse eleições no Vietnã dividido em 1956), já que ele passou os 10 anos anteriores liderando ações de guerrilha contra os ocupantes japoneses, e era muito popular.

Na recém-criada Coreia do Sul, surgiu um movimento de resistência em larga escala contra os militares dos EUA e seu governo coreano fantoche. Em setembro de 1946, uma greve dos trabalhadores se espalhou pelo país, que foi então violentamente reprimida pelo novo Exército da República da Coreia e pelos militares dos EUA. Pelo menos mil coreanos foram mortos, com mais de 30 mil presos. Líderes regionais e locais do movimento popular estavam agora mortos, na prisão ou tinham ido para a clandestinidade.

Em 1 de março de 1948, uma grande manifestação não-violenta na ilha de Jeju, na Coreia, aconteceu para celebrar o aniversário das manifestações massivas do povo coreano, em 1919, contra a ocupação japonesa. Aproveitando a ocasião para protestar contra as eleições separadas planejadas por Rhee, marcadas para maio de 1948, a multidão foi atacada pela Polícia Nacional da Coreia. A polícia prendeu 2,5 mil pessoas, vários foram feridos e vários coreanos foram torturados e depois mortos. O incidente de 1 de março provocou uma enorme rebelião do povo, que estourou na ilha em 3 de abril. Rhee foi eleito presidente em 20 de julho de 1948, em uma eleição absurda em que apenas a elite do país participou.

O comandante militar dos EUA em Jeju, coronel Rothwell Brown, ordenou uma campanha indiscriminada de terra arrasada quando a revolta de Jeju se intensificou. A Marinha dos EUA bloqueou a ilha com dezoito navios de guerra, enquanto bombardeava com canhões de 37mm. Aviões dos EUA realizaram missões regulares de reconhecimento e lançaram granadas e bombas.

Unidades do exército coreano da cidade portuária de Yosu, no sul do país, foram obrigadas a derrubar a resistência de Jeju e se rebelaram, recusando-se a ir. Esta rebelião rapidamente se espalhou para outras áreas na parte sul do continente. Em duas semanas, o motim foi contido por uma campanha brutal coordenada pelo assessor militar dos EUA, o capitão James Hausman, e realizada com a ajuda de aeronaves, tropas de fogo e tropas terrestres dos Estados Unidos. Todos os coreanos suspeitos ou aqueles que pensavam simpáticos à insurreição foram executados.

A insurgência de Jeju foi derrotada em agosto de 1949, com a repressão crescendo em suas dimensões sádicas. Os suspeitos muitas vezes eram despidos, torturados,  e forçados a fazer sexo antes de serem decapitados enquanto seus entes queridos eram forçados primeiro a assistir enquanto batiam palmas com suas mãos, depois a desfilar diante de seus torturadores carregando as cabeças decepadas de membros da família. A perversidade sexual e a violência militar são companheiros comuns; pergunte a qualquer soldado. Estima-se que 60 mil moradores da ilha foram mortos pelas forças sul-coreanas e norte-americanas, com outros 40 mil fugindo para o exterior.

Um movimento de guerrilha contra o exército dos EUA e o governo de Syngman Rhee espalhou-se pela Coreia do Sul e durou até o fim da guerra em 1953. O governo usou sua superioridade militar para encarcerar centenas de milhares de coreanos que tinham – ou poderiam ter tido – quaisquer simpatias socialistas ou comunistas. Um grande número de agricultores, aldeões e residentes urbanos foram sistematicamente cercados em áreas rurais, aldeias e cidades de toda a Coreia do Sul. Os cativos eram regularmente torturados para que dessem nomes de outros companheiros. Milhares foram presos e outros milhares foram forçados a cavar valas comuns antes de serem obrigados a entrarem nas valas e serem baleados por outros coreanos, muitas vezes sob a vigilância de oficiais dos EUA. As estimativas de civis assassinados sob o pretexto de matar “comunistas” durante a era da ocupação legal dos EUA (15 de agosto de 1945 a 15 de agosto de 1948) e o período posterior até 30 de junho de 1949, quando as tropas de combate dos EUA foram finalmente retiradas, estão na faixa dos 500 mil. Ninguém sabe ao certo porque nenhum registro foi mantido e os fatos sobre esse massacre foram forçosamente escondidos por 40 anos.

Durante as décadas do pós-guerra das ditaduras de direita sul-coreanas, as famílias amedrontadas das vítimas mantiveram silêncio sobre o verão sangrento. Relatórios militares americanos do massacre sul-coreano foram classificados como “secretos” e arquivados em Washington. Relatos de comunistas foram descartados como mentiras. Somente a partir dos anos 1990, e a democratização da Coreia do Sul, a verdade começou a vir à tona. Em 2002, a fúria de um tufão revelou uma vala comum. Outra foi encontrado por uma equipe de notícias de televisão que invadiu uma mina fechada.

A Coreia do Norte e do Sul se confrontaram cada vez mais no paralelo 38 antes do início da guerra. O governo norte-coreano afirmou que apenas em 1949, o exército e/ou a polícia sul-coreana cometeram mais de 2600 incursões armadas no norte. Posteriormente, os documentos sugeriram que, no mínimo, houve vários ataques das forças sul-coreanas ao norte e que muitos, senão todos os ataques ao sul haviam sido represálias. Observe como a Wikipedia relata a briga:

“Sérios conflitos na fronteira entre o Sul e o Norte ocorreram em agosto de 1949, quando milhares de tropas norte-coreanas atacaram as tropas sul-coreanas ocupando território ao norte do paralelo 38.”

A Coreia do Sul já tinha tropas ao norte da fronteira, mas, nesta versão, foi o Norte que atacou.

O Capitão James H. Hausman escreveu em uma nota informativa para o General Roberts em agosto de 1949:

“Meu colega e eu estamos firmemente convencidos de que todos os ataques à Coreia do Sul foram represálias, e quase todos os incidentes foram provocados pelas forças de segurança sul-coreanas.”

O Coronel Min Ki Sik, Comandante Assistente da Escola Coreana de Armas observou em 1949:

“Geralmente se ouve que o Exército nunca ataca a Coreia do Norte e está sempre sendo atacado. Isso não é verdade. Majoritariamente, nosso Exército está atacando primeiro, e atacamos mais forte.”

Os pronunciamentos públicos de Syngman Rhee ao longo de 1949 e no início de 1950 constantemente falavam de seu desejo em ordenar suas forças a atacar o Norte. Em 30 de setembro de 1949, ele afirmou:

“Eu realmente sinto que agora é o momento mais psicológico quando devemos tomar uma medida agressiva.”

O Washington Post o cita dizendo, em 1 de novembro de 1949:

“Meu governo não tolerará mais uma Coreia dividida […] se tivermos que resolver isso pela guerra, faremos todos os combates necessários”.

Segundo o governo norte-coreano, o ataque contra a Coreia do Sul em 25 de junho de 1950 foi uma resposta a um bombardeio de dois dias pelos sul-coreanos e seus ataques surpresa contra a cidade de Haeju e outros lugares. No início da manhã de 25 de junho, antes do amanhecer, em contra-ataque na conta norte-coreana, o Escritório de Informação Pública da Coreia do Sul anunciou que as forças do sul tinham capturado Haeju. O governo sul-coreano depois negou ter capturado a cidade e culpou um “oficial exagerado” pelo relatório. A Iugoslávia e a União Soviética propuseram que a Coreia do Norte fosse convidada para o Conselho de Segurança da ONU para apresentar seu lado da história, mas a proposta foi rejeitada.

Seja qual for a causa, os soldados norte-coreanos cruzaram a fronteira em 25 de junho, e em 28 de junho eles estavam em Seul (que fica a apenas 56 quilômetros de distância). O exército sul-coreano efetivamente se desfez; entre 25 de junho e 28 de junho, as forças sul-coreanas diminuíram de 95 mil homens para 22 mil, quase todas as perdas devido a deserções. O Sul teria perdido a guerra em uma semana se os EUA não tivessem intervindo.

No dia em que Seul caiu, o presidente Rhee ordenou a morte de qualquer um considerado um opositor político em qualquer lugar da Coreia do Sul. Os assassinatos ocorreram em todos os lugares que ainda eram mantidos pelas forças sul-coreanas. Numerosos massacres ocorreram, muitos deles não dirigidos contra opositores, mas a cidadãos comuns. Por exemplo, em 7 de fevereiro de 1951, 705 cidadãos desarmados nas aldeias de Sancheong e Hamyang foram mortos pelo Exército sul-coreano. Dois dias depois, 719 civis da aldeia de Geochang foram baleados.

O coronel norte-americano Donald Nichols, um amigo pessoal de Rhee, relatou ter testemunhado em Suwon, sul de Seul, o massacre de 1.800 prisioneiros políticos no final de junho de 1950. Ele descreveu o trabalho de dois tratores, um cavando uma série de valas, e outro cobrindo com terra os corpos baleados depois que eles fossem despejados nas covas. Gregory Henderson, que serviu como diplomata norte-americano na Coreia no final da década de 1940 e início dos anos 1950, estimou que “provavelmente mais de 100 mil civis sul-coreanos foram mortos sem qualquer julgamento” pelas forças de Rhee durante a guerra.

A eclosão de conflitos criou uma massa de refugiados tentando escapar para lugares seguros. Havia tantos que chegaram a bloquear movimentos militares ao longo das estradas; ordens foram dadas pelos comandantes militares dos EUA para atirar nos refugiados. Em 26 de julho de 1950, o 8º Exército dos EUA, o nível mais alto de comando na Coreia, emitiu ordens para deter todos os civis coreanos. “Não, repito, nenhum refugiado poderá cruzar as linhas de batalha a qualquer momento. O movimento de todos os coreanos em grupo cessará imediatamente”. Depois disso, os refugiados foram mortos enquanto tentavam fugir da guerra.

No mesmo dia em que o 8º Exército dos EUA editou sua ordem para deter os refugiados em julho de 1950, cerca de 400 civis sul-coreanos reunidos na ponte No Gun Ri foram mortos por forças dos EUA do 7º Regimento de Cavalaria. Alguns foram baleados acima da ponte, nos trilhos da ferrovia. Outros foram atacados por aviões dos EUA. Mais foram mortos sob os arcos em uma provação que os sobreviventes locais dizem ter durado três dias.

“Havia um tenente gritando como um louco, atirando em tudo, matando todos eles”, lembra o veterano da 7ª cavalaria Joe Jackman. “Eu não sabia se eles eram soldados ou o quê. Crianças, havia crianças lá fora, não importava o que fosse, oito ou 80, cegas, aleijadas ou loucas, eles atiravam nelas”.

O mais alto oficial da lei na Coreia, o segundo Procurador Geral do presidente Truman, J. Howard McGrath, referiu-se aos coreanos como “roedores” e, portanto, não se arrependia do massacre em curso.

Enquanto isso, os EUA destruíram facilmente a precária força aérea e as defesas aéreas da Coreia do Norte e iniciaram uma campanha de bombardeio desimpedido do norte em 29 de junho de 1950, que durou três anos. Durante esse período, as forças dos EUA voaram um milhão e quarenta mil sobrevôos e lançaram 386.037 toneladas de bombas e 32.357 toneladas de napalm. Se alguém contar todos os tipos de munições transportadas pelo ar, incluindo foguetes e munição de metralhadora, a tonelagem total chega a 698.000 toneladas. Os EUA destruíram todas as cidades, todas as aldeias, todas as barragens, todas as estradas de ferro e todas as estradas da Coreia do Norte. Estima-se que 2,5 milhões de norte-coreanos morreram no bombardeio, a maioria deles civis, muitos deles incinerados pelo napalm. O aviador Federic Champlin observou:

“Uma coisa sobre o napalm é que quando você atinge uma aldeia e a vê em chamas, você sabe que conseguiu alguma coisa. Nada faz um piloto se sentir pior do que trabalhar em uma área e não ver que ele conseguiu fazer qualquer coisa.”

Em 25 de junho de 1951, o general O’Donnell, comandante do Comando de Bombardeiros da Força Aérea do Extremo Oriente, testemunhou em resposta a uma pergunta do senador John C. Stennis (“A Coreia do Norte foi virtualmente destruída, não é?”):

“Ah, sim; […] Eu diria que toda, quase toda Península Coreana está uma verdadeira bagunça. Tudo está destruído. Não há nada digno do nome. Pouco antes de os chineses chegarem, ficamos de castigo; não havia mais alvos na Coreia.”

Em 1952, o general Curtis LeMay declarou:

“Nós bombardeamos cada cidade duas vezes, agora vamos voltar a pulverizá-las em pedras.”

Em agosto de 1951, o correspondente de guerra Tibor Meráy declarou que havia testemunhado “uma completa devastação entre o rio Yalu e a capital”. Ele disse que “não havia mais cidades na Coreia do Norte”. Continuou:

“Minha impressão é de que estou viajando na Lua porque havia apenas devastação – cada cidade era apenas uma coleção de chaminés”.

O principal oficial norte-americano que fora prisioneiro de guerra, o General William F. Dean, informou que a maioria das cidades e aldeias norte-coreanas que ele viu eram ou escombros ou terreno baldio coberto de neve. Como resultado final dessa destruição em todo o país, o General MacArthur, em dezembro de 1950, pediu 34 bombas atômicas para criar um terreno baldio nuclear ao longo da fronteira chinesa. Embora este pedido tenha sido rejeitado, o Presidente Truman e outros repetidamente examinaram a melhor maneira de usar bombas atômicas na guerra.

Depois que Truman demitiu o general MacArthur, em maio de 1951, o antigo “comandante supremo” declarou ao Congresso:

“A guerra na Coreia já destruiu uma nação de 20 milhões de pessoas. Eu nunca vi tamanha devastação… Depois que eu olhei para os destroços e aqueles milhares de mulheres e crianças… eu vomitei”.

Três anos após o início da guerra, um cessar-fogo foi finalmente assinado. Tudo estava de volta ao lugar em que estivera, no começo, com quase as mesmas fronteiras de antes da guerra e o mesmo sonho não realizado de reunificação. Ninguém havia vencido. Todos tinham perdido. Calcula-se que a guerra tenha custado a vida de até 5 milhões de pessoas, de longe a maioria deles civis.

Algumas lições poderiam ter sido aprendidas da Guerra da Coreia. Uma é, como o famoso jornalista I.F. Stone observou, “todo governo é dirigido por mentirosos e nada do que eles dizem deve ser acreditado.”

Outra seria o reconhecimento, expresso pelo veterano de guerra Mike Hastie, de que “os Estados Unidos são uma máquina de matar imparável.”

Como vivemos dentro das mentiras contadas pelo nosso governo e, portanto, deixamos de aprender, depois da Coreia os EUA devastaram o Vietnã, o Laos, o Camboja, o Afeganistão, o Iraque, a Síria, a Líbia… causando sofrimento humano incompreensível, e destruição massiva de seres humanos e sistemas naturais.

Portanto, digamos, como um experimento de pensamento, que você é o único adulto maduro na sala, e é portanto sua responsabilidade subjugar as personalidades patológicas que inevitavelmente surgem, como líderes do governo dos EUA e das forças armadas americanas; subjugá-los pelo amor das suas vítimas sofridas e em prol da saúde e viabilidade dos ecossistemas da Terra e da biosfera como um todo. O que você vai fazer? É com você!

Aqui está um possível caminho a seguir: depois que a União Soviética se desfez, Gorbachev disse que “era um sistema maligno, tinha que ser desmantelado”. Certamente esse sistema criminoso dos EUA também precisa ser desmantelado.

“O maior fornecedor de violência do mundo hoje: meu próprio governo. Pelo amor das centenas de milhares que tremem sob nossa violência, eu não posso ficar em silêncio”, disse Martin Luther King.