A acalorada polêmica em torno do Jesus preto e favelado que a Mangueira colocou na Sapucaí deu novo impulso ao sangue que, por 2 mil anos, não para de jorrar das feridas que cobrem o corpo do cristianismo ocidental. É a ferida de um Cristo adestrado por séculos, que recusa-se a ser domado por seus captores – de batina ou gravata – que insistem em esterilizar o Messias e fazê-Lo à sua imagem e semelhança. Jesus torna-se transparente, leve como o Nada, e em Sua despolitização se transforma num hippie antissemita que odeia Demiurgo e tudo que O lembrar da maldita carne que criou.

A receita convencional é simplória e piedosamente cretina: não é possível que Jesus, sendo Deus, tire os pecados do mundo enquanto enfrenta as mazelas sociais a flagelá-lo. A injustiça é natural, os pobres sempre tereis convosco, mas o pecado, esse miasma onipotente que em tudo entra e de nada sai, a não ser com sacrifícios de filhos únicos e cordeiros alheios, esse sim é o inimigo. Esse Cristo é o salvador de bilhões atomizados e o fiscal da vida privada de cada um dos resgatados – estes tornam-se reféns, pois ao terem sua salvação e pecado eximidos de qualquer contexto sócio-histórico, só resta a culpa cristã pelo que se é ou que nunca poderia ser. O Jesus do moralismo reacionário é mera projeção de mentes vazias que, por não terem a coragem necessária para enfrentar as injustiças do presente, preferem projetar e especular com o futuro metafísico.

A resposta a distorções centenárias como essas não pode ser igualmente míope, atribuindo a Jesus palavras de ordem e posições políticas anacrônicas a Ele. Não basta chamá-Lo comunista, feminista, travesti ou favelado, e em nada ajuda negar a dimensão cósmica, transcendental, de sua missão expiatória na cruz. Mas o Deus que morre pelo mundo também morre por Seu povo, e o Homem que sofre pelo pecado também o faz pela política. A Palestina e a Roma dos tempos de Jesus não conheciam essa tal diferença entre política e religião, um pressuposto ocidental forçadamente imposto ao texto bíblico que precisa ser descartado de forma a compreendermos a importância político-teológica do trabalho – e dos sermões – de Jesus, filho de Maria.

Galileia e a Desordem Mundial

O primeiro passo na compreensão do trabalho de Jesus é entender as implicações de Sua ascendência galileia.[1] Esta região ao norte da Judeia era habitada por diversas aldeias camponesas semi-autônomas que, apesar de sua tradição israelita, não eram muito próximas do Estado-Templo de Jerusalém. A Galileia fora independente da Judeia por cerca de oitocentos anos, e sua reconquista e consequente anexação pela dinastia judaica hasmoneia, cerca de um século antes do nascimento de Jesus, teria deixado suas marcas e desconfianças em camponeses que agora deviam tributos e dízimos ao templo distante na nova capital. 

As maiores marcas foram, no entanto, deixadas pelo Império Romano, que na época de Jesus unificara toda a costa do Mediterrâneo em uma única ordem mundial. O funcionamento desta ordem soará familiar a muitos: impostos e tributos exorbitantes eram cobrados dos povos conquistados que, periféricos e inferiores, serviam somente para abastecer o pão e o circo das massas do centro do mundo. A famosa Pax Romana era mantida através de redes verticais de influências e favores, com as quais as elites locais obtinham privilégios ao agradar seus patronos superiores e ao manter um fluxo constante de riquezas de suas províncias para Roma. Estas elites governantes também costumavam construir cidades altamente helenizadas em suas regiões, como homenagem a seus patronos, e no processo exauriam economicamente suas populações – tal foi o caso de Tiberíades, cidade grande e “civilizada” construída no meio da Galileia por seu governador na época de Jesus, Herodes Antipas. Os camponeses, endividados por terem sua riqueza extorquida por Herodes e pelos romanos, eram progressivamente forçados a tomar empréstimos e eventualmente a vender suas terras para grandes proprietários, tornando-se meeiros de classes abastadas como sumo sacerdotes e membros da corte.

Tamanha paz, que significava ordem a Roma e miséria a todo o resto, era mantida através de um brutal aparato repressivo militar, utilizado com uma violência sem precedentes. Rebeldes, guerrilheiros ou líderes de movimentos populares pacíficos eram todos chamados bandidos, sem distinção, e crucificados sistematicamente por toda a Judeia e Galileia como demonstração de poder e forma de terror imposta aos camponeses. Tal foi o caso de Séforis, no ano 4 a.C., que no meio de uma revolta geral do povo galileu foi queimada pelas tropas de Varo; seus habitantes foram todos escravizados, e cerca de dois mil “bandidos” foram crucificados por toda a Galileia. Nazaré, cidade de Jesus em sua juventude, ficava a poucos quilômetros de Séforis. Tal foi também o caso de Magdala, cidade galileia da famosa Maria Magdalena e palco de uma escravização em massa de cerca de 30.000 pessoas nos anos 53-52 a.C.

Os camponeses judeus e galileus, sob constante ameaça de expropriação e frente à sempre iminente desintegração de suas comunidades, resistiram de diversas formas. Era comum a explosão de protestos pacíficos em Jerusalém durante eventos religiosos como a Páscoa – comemoração fundadora do povo israelita que celebrava a libertação divina de um domínio estrangeiro opressor – e estes eram frequentemente reprimidos pelos soldados romanos de Herodes ou de seu filho, Arquelau. O povo judeu por vezes respondia com sua própria Intifada e atirava pedras nos soldados. Num episódio ainda mais notável, em que duas legiões romanas acampadas no oeste da Galileia preparavam-se para marchar sobre Jerusalém e erigir à força no Templo uma imagem do imperador Calígula, grandes massas acorreram para protestar contra a ação iminente, e milhares de camponeses se recusaram a semear seus campos, mantendo a greve durante semanas. A ameaça nascida dos campos não semeados projetava uma temporada sem colheitas e, consequentemente, sem tributos, o que foi o suficiente para fazer com que as legiões romanas recuassem e o plano fosse abortado. 

Tantas formas de resistência somavam-se ainda aos movimentos escribais, como os da Quarta Filosofia – discurso bastante popular entre escribas e fariseus da época de Jesus, que pregava o não pagamento de tributo a César e lealdade exclusiva a Deus – e dos sicários, que recorriam a assassinatos e sequestros furtivos de membros das elites locais como forma de contra-terror. Jesus de Nazaré nasceu em meio a esta sociedade em constante ebulição, e compreender Seus ensinamentos sem compreender Sua audiência é tão empobrecedor quanto analisar os discursos de Martin Luther King Jr. enquanto se ignora a sociedade racista e branco-supremacista em que este vivia.

Novo Moisés, novo Elias

O ministério de Jesus deu-se majoritariamente em aldeias camponesas da Galileia, e, frente a tamanha miséria e desigualdade, o Deus-Homem não foi indiferente; tampouco foi caridoso, palavra maldita que dá migalhas a uns e catarses a outros. Pelo contrário, empreendeu uma renovação da aliança mosaica e do espírito comunitário por todas as aldeias em que passava.

Os indícios das atividades subversivas e comunitárias de Jesus encontram-se em todos os Evangelhos, mas destacam-se no de Marcos, primeiro a ser escrito, e nos discursos de Q, suposta fonte que teria fornecido os discursos de Cristo comuns a Mateus e a Lucas. Tanto Marcos quanto Q evidenciam a primazia do Reino de Deus na mensagem de Jesus – não só no porvir, mas a começar no aqui e agora. Jesus e seus doze discípulos, símbolo da renovação das doze tribos de Israel, teriam ido de aldeia em aldeia e frequentemente participado de suas assembleias de deliberação político-religiosa, conhecidas como synagoge. Muitos de Seus atos evocavam ainda episódios profundamente arraigados na memória coletiva israelita: um Jesus que andava sobre o mar e milagrosamente alimentava multidões os lembraria imediatamente de Moisés, que guiara o povo liberto através do mar e de um deserto improvavelmente repleto de maná. O envio de emissários por toda a Judeia e Galiléia evoca ainda a memória de Elias, que fizera algo semelhante em seu programa profético popular contra o reinado idólatra de Acabe. Não é coincidência que a narrativa da Transfiguração tenha posto Jesus ao lado de Moisés de Elias – o ministério do Filho de Deus metonimizava o ministério de seus antecessores e preconizava uma nova libertação de Israel junto a uma renovação da Aliança. 

A renovação da Aliança

O ministério de Jesus, então, consistia predominantemente numa renovação da aliança mosaica pelas aldeias camponesas da Galileia. Na primeira parte da história de Marcos, o “quartel-general” de Jesus ficava na aldeia de Cafarnaum, à beira do mar da Galileia e de frente para Tiberíades (Mc 1:21; 2:1; 6:6); a partir daí, Jesus e seus discípulos visitavam as aldeias no entorno quando seus moradores estavam reunidos na sinagoga para orar e tratar de assuntos da comunidade (cf. Mc 1:21; 3:1; 6:1). Era nestas assembleias que Jesus curava, exorcizava e pregava aos camponeses, infundindo esperança e vitalidade a comunidades desesperadas e envolvendo-se com sua organização social e política. Da mesma forma seus discípulos eram enviados a comunidades camponesas para anunciar e manifestar o Reino de Deus entre elas (Mc 6:7-13; Lc 10:1-16).

Compreendido o método de Cristo, basta analisar Suas mensagens para ver no que consistia a renovação da aliança mosaica. Comprometido a proteger as famílias camponesas da desintegração social, Jesus citou o quinto mandamento (“Honra teu pai e tua mãe”) para condenar o desvio de recursos, que poderiam sustentar pais necessitados, ao sustento do Templo (Mc 7:1-13). Ele ainda condenou o divórcio (Mc 10:1-12), prática através da qual famílias ricas podiam consolidar suas grandes propriedades divorciando-se e casando novamente – as vítimas de tal procedimento seriam frequentemente jovens camponesas endividadas, que podiam ceder as propriedades de suas famílias ao casarem-se com homens ricos e serem descartadas para fins de um novo casamento, deixadas assim sem terras e sem amparo.

A aliança mosaica, consolidada nos Dez Mandamentos e nas leis subsequentes, era resumidamente um conjunto de princípios e regulamentos que visavam manter a coesão interna do povo israelita, instituindo formas mais corretas e saudáveis de relacionamento com Deus e com o próximo. Entre tais instituições estavam o descanso semanal no sábado, limitações à acumulação de riquezas e o perdão periódico de dívidas, além de sanções contra a cobrança de juros (cf. Lv 25). Todas estas instruções representavam um compromisso do povo com Deus análogo à aliança de um casamento, no qual um companheiro deve lealdade ao outro, e sua violação por Israel e seus governantes foi frequentemente condenada por profetas no Antigo Testamento. Ao ministrar entre os camponeses judeus e galileus, Jesus pregava, portanto, através de constantes referências e analogias à lei mosaica (cf. Mc 10:2-45; Lc 6:20-49), pela renovação deste espírito solidário e cooperativo no povo israelita. À luz da Torá, dizeres que parecem um incentivo à opressão são vistos por suas verdadeiras cores: a instrução de Jesus aos devedores, por exemplo (“a quem te arrebatar a capa, não recuses a túnica”; Lc 6:29), era uma referência bem-humorada – pois quem perde capa e túnica fica pelado – ao antigo código da aliança: “Se tomares o manto do teu próximo em penhor, tu lho restituirás antes do pôr-do-sol. Porque é com ele que se cobre, é a veste do seu corpo: em que se deitaria?” (Ex 22:25-27; Dt 24:10-13) O ministério de Jesus fortalecia comunidades prestes a ser libertas por Deus, e o fazia através da instituição de um espírito comunitário de cooperação entre os pobres filhos de um Deus de amor.

O que pertence a César?

Uma libertação de Israel inevitavelmente envolvia oposição a seus captores romanos. O cristianismo ocidental acomodou-se em sua irrelevância ao pregar o não envolvimento na política por meio da máxima de Cristo: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Esquecem-se de que esta não é máxima, mas uma não-resposta dada em resposta a sábios ardilosos, e que a definição do que pertence a Deus ou a César fica ao encargo de seus ouvintes. Numa audiência profundamente simpática à Quarta Filosofia, a resposta é clara: tudo a Deus, nada a César. As hierarquias eclesiais de hoje, no entanto, contentam-se em dividir o mundo meio-a-meio, como convém a um mundo de pecado, e dão sua própria resposta à de Cristo: meio a Deus, meio aos diabos.

Os sermões e atos de Jesus vão, contudo, na contramão de nossa acomodação histórica. O reino de Deus, que para os pobres significava alimento suficiente, remissão das dívidas, solidariedade mútua e cura pessoal (Lucas 6:20-49; 7:18-35; 11:2-4), para as elites dirigentes significava o julgamento divino. Nesta elite se incluía a casta sacerdotal, que, longe de meros defensores de um suposto judaísmo ultrapassado, incorporavam o próprio establishment da época; eram engrenagens indispensáveis para a roda político-econômica girar em torno do Estado-Templo de Jerusalém, enriquecendo às custas de seu próprio povo. Compreensivelmente, João e Cristo proclamam que os auto-proclamados descendentes ilustres de Abraão seriam excluídos do futuro banquete do Reino (Lc 3:8-9; 13:26-30) e haveriam de chorar e ranger os dentes. Convenientemente esquecido, também, está o fato de que as famosas bem-aventuranças dirigidas aos pobres são seguidas de vários “ai de vós” contra os ricos e saciados (Lc 6:20-23, 24-26). A elite de Jerusalém, que mata profetas e apedreja os enviados, estava excluindo a si mesma do banquete do Reino ao priorizar ganhos materiais (Lc 13:34-35; 14:16-24). 

É no contexto desse conflito entre governantes e governados (e não entre “judaísmo” e “cristianismo”, como querem alguns teólogos) que se insere a famosa demonstração profética de Jesus no Templo de Jerusalém (Marcos 11:12-24), seguida de uma série de condenações ao templo, aos sumos sacerdotes e aos escribas, e terminando com um anúncio da destruição do Templo (Mc 11:27-13:2). Após tantos discursos contra os sumos sacerdotes e seus patronos imperiais romanos, virar as mesas dos cambistas e obstruir o transporte de objetos pelo templo dramatizou, assim como Isaías nu e descalço (Is 20) e Jeremias com um jugo no pescoço (Jr 27-28), um anúncio profético de que Deus condenava o próprio sistema opressivo de funcionamento do Estado-Templo. Jesus buscava não somente acabar com práticas religiosas corruptas, mas condenar todo um sistema intrinsecamente corrupto ao impedir que o Templo operasse normalmente – operação esta que envolvia as mesas de câmbio e a venda de pombas atacadas pelo Messias. Durante a demonstração, Jesus citaria ainda uma mescla de profecias (Is 56:7-8; Jr 7:1-15) que, combinada a seu anúncio posterior da construção sobrenatural de um segundo Templo (Mc 14:58; 15:29),[2] apelava para que o templo se tornasse um centro onde Deus poderia reunir os dispersos de Israel e outros povos.

A dominação romana tampouco escapou às condenações de Jesus. Os exorcismos, milagres dos mais populares entre os realizados pelo Messias, eram alusões explícitas à expulsão do domínio romano, que, como Satã, era uma força estrangeira sobre-humana a tomar conta das vidas e corpos dos camponeses galileus. Não há caso mais ilustrativo que o do possesso gadareno (Mc 5:1-20): o nome do demônio é Legião, termo coletivo para tropas romanas, e este é debandado a entrar numa “tropa” de porcos (símbolo dos romanos em muito da literatura rabínica da época), que imediatamente se afoga no Mar, como as tropas do Faraó que perseguiram os israelitas no Mar Vermelho. Há ainda outras analogias à história do Egito, como a alusão à vitória sobre os magos egípcios na menção do ‘dedo de Deus’ contra Satã (Lc 11:20; cf. Ex 8:19). A terminologia usada é também muito clara: o termo epitiman, utilizado no primeiro exorcismo de Jesus (Mc 1:25), é usado nas traduções gregas do Antigo Testamento para descrever a vinda de Deus para julgar regimes imperiais estrangeiros (cf. Sl 9:6; 68:30; 76:6; 80:16, Zc 3:2). Todo exorcismo funcionaria, portanto, como ode antiimperialista de restauração das forças do povo eleito, tendo como significado último o julgamento iminente de Deus contra Roma e Satã. 

O Messias do chiqueiro

Após tamanha obra subversiva de emancipação popular, não surpreende que Jesus tenha tido uma morte política, crucificado entre dois “bandidos” como o Rei dos Judeus. Mas Sua morte não significava o fim da restauração de Israel, e sim o início. A Santa Ceia, como clara alusão à aliança mosaica feita em Êxodo 24, une o povo restaurado a Deus por intermédio do sangue sacrificado – desta vez do próprio Filho do Homem – e assim os torna um no sangue do Ungido. Aqui se encontram a carne e o cosmos, o transcendente e o imanente: Jesus volta aos céus, e aos que ficam resta a missão de proclamar o Reino de Deus através da revitalização física e espiritual das comunidades necessitadas. Por isso o cristianismo adota como seu símbolo a Cruz, ressignificando o Terror romano e confrontando-o com a Esperança, e prospera internacionalmente em meio a camponeses, mulheres e escravos, que vêem nas assembleias (ekklesia) horizontais e solidárias do cristianismo uma forma de viver livres da hierarquia e exploração impostas pelo Império Romano enquanto esperam pela vinda definitiva do Reino de Deus.

Entre os homens, porém, Satã logo prevalece. O cristianismo anti-imperial logo torna-se religião oficial do Império Romano, iniciando uma fase triste e conhecida de sua história que não é digna de ser recontada e ainda não acabou. Hoje prevalecem outros porcos em outra Roma, esta na Casa Branca, que subjuga um mundo muito além da costa do Mediterrâneo. E seu Cristo, que antes afogava porcos, agora administra chiqueiros; manso e passivo, o Messias romano contenta-se em observar – e gerenciar – o derramamento de sangue inocente, pois precisa também converter os ricos sofredores. Esquece-se de seu alter-ego, que, amoroso e enérgico, aceitava a conversão de ricos, desde que dessem seu dinheiro aos pobres e devolvessem tudo que roubaram (Mc 10:17-22; Lc 19:1-10). Não percebe que os porcos, cínicos e obesos, agora passam tranquilamente com seus camelos pelo fundo de agulhas. O Anticristo ignora, por fim, que o reino de Deus sempre esteve entre nós – entre os pobres, pretos, favelados, indígenas, travestis, mulheres e nordestinos – e que logo virá o julgamento divino contra o Império dos Porcos.

Caiu! Caiu a grande Babilônia, que fez todas as nações beberem do vinho da fúria da sua prostituição! – Apocalipse 14:8

Notas:
[1] –  As análises sócio-históricas partem principalmente das obras de Richard A. Horsley, professor emérito de Línguas Clássicas e Religião na Universidade de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos, e especialista em sociologia do Novo Testamento.
[2] –  Muitos seguem a interpretação de João 2:12-22, que identifica a destruição e reconstrução do Templo com a morte e ressurreição de Jesus. Apesar de válida, esta interpretação é intercambiável com outros usos metafóricos do termo “templo”; no caso de Marcos, além do sentido literal, há ainda a compreensão do templo como o próprio povo de Israel, que, sendo em si casa de Deus, não precisaria da instituição imperial do Estado-Templo.