O Partido Comunista da China oferece vários ensinamentos na luta contra a pandemia

por José Antonio Egido | ElComún - Tradução de Gideão Gabriel O. F. para a Revista Opera

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(Foto: Xinhua/Xiao Yijiu)

O primeiro é que somente uma sociedade baseada no interesse coletivo acima do individual, a solidariedade prática e altos objetivos espirituais como a construção do comunismo, podem dar coesão à luta comum diante de problemas tremendos como esta pandemia. Vários exemplos: em 23 de fevereiro a Sede de Prevenção e Controle de Epidemias de Wuhan, capital da província de Hubei e epicentro da pandemia, fez um chamado por voluntários para ajudar os habitantes confinados a comprar alimentos, para medir a temperatura dos vizinhos e para atender aos bairros mais castigados pelo vírus. Em 10 horas se apresentaram 10 mil voluntários que criaram Comitês comunitários para atender a seus compatriotas. Outro exemplo: o governo mobilizou na província citada 42.600 pessoas do sistema de saúde, não só médicos e enfermeiros, das quais 28.000 são mulheres, a maioria militante do Partido. Ademais, mobilizou 34.000 funcionários e trabalhadores do governo para procurar pessoas afetadas pelo vírus e atendê-las. 10,59 milhões de pessoas foram atendidas na província segundo informa a agência de notícias Xinhua em 11 de fevereiro.  

O segundo é que só o socialismo, expressado constitucionalmente como Ditadura Democrática Popular, rompe o quadro desumano e alienado do capitalismo neoliberal ou monopolista, incapaz de defender o bem comum. Um povo confiante em seu sistema político, em seu Partido e em sua direção política com o camarada Xi Jinping à frente, assume com disciplina consciente as orientações preventivas expressas em 10 de fevereiro pela Comissão Nacional de Saúde para interromper a difusão da epidemia. Xi demonstra não apenas com palavras senão com ações que “garantir a saúde e a segurança das pessoas é uma tarefa importante para nosso Partido’’.

O terceiro é que o Partido deve, verdadeiramente, colocar-se à frente da sociedade para enfrentar os problemas pagando o preço que seja necessário. 17.700 membros do Partido incorporam-se aos comitês criados em Wuhan e Hubei para enfrentar a emergência. O pessoal médico, ideologicamente educado no marxismo onde há muitos militantes comunistas, paga um alto preço por sua luta na primeira linha. Hoje quatro médicos do hospital central de Wuhan, entre eles o subdiretor e 2 subchefes de departamento, estão em estado crítico afetados pelo vírus, depois de terem travado a batalha que praticamente o tem derrotado. Somente nesse hospital 4 médicos morreram e 200 estão infectados. Sendo em toda a China 1.700 médicos contagiados em fevereiro. Em 5 de fevereiro morre o jovem Li Wenliang, oftalmologista desse mesmo hospital, incorporado ao Partido em sua época de estudante, que foi o primeiro a denunciar o início da epidemia. Ainda que, inicialmente, as autoridades ameaçaram-no por ‘’fazer comentários falsos’’, o Supremo Tribunal Popular o respaldou. O secretário do Partido em Wuhan foi destituído e o doutor Li Wenliang é, hoje, um herói amado pelo povo. Em 18 de fevereiro morre o diretor do hospital de Wuchang, Liu Zhiming. O Partido em Jiangsu estabeleceu como um exemplo a médica Xu Hui, do Hospital de Nanjing que faleceu depois de trabalhar 18 dias consecutivos contra o coronavírus. Membros do Partido que levavam suprimentos às pessoas confinadas morreram também pela enfermidade.

O quarto é que o sistema público de saúde e as empresas públicas dirigidas pelo Estado socialista são ferramentas para combater a epidemia. A tecnologia, impulsionada pelas empresas do Estado, ajudam a controlar o vírus. Um aplicativo permite saber se um cidadão esteve eventualmente em contato com um portador do vírus em um avião, trem ou ônibus. As empresas com porcentagem de capital privado assumem a orientação traçada pelo Estado e não impõem a sua própria. Por exemplo, BYD Auto converte-se na principal produtora de máscaras de proteção médica do mundo, com 5 milhões por dia. Não se tem privatizado o sistema de saúde na China, tampouco se tem convertido-o em um fim lucrativo.  Algo nunca visto em um período de 10 dias, o governo construiu imensos e complexos hospitais, algo que o setor privado é incapaz de fazer por si só.

O quinto é que o pensamento liberal burguês centrado nos ‘’direitos individuais’’ dos proprietários, capitalistas e outros agentes antissociais (e dos proletários desvalidos que acreditam que são livres), não serve para enfrentar coletivamente grandes problemas sociais. Pensamento que se reflete inclusive em líderes políticos supostamente de “esquerda’’ do mundo capitalista, porém é distante da ideologia dominante no Partido e na República Popular, ainda que haja exceções, como é normal em todo sociedade humana. O liberalismo burguês (em nossa época, costuma ser disfarçado de “’esquerda’’) denuncia como “horrível ditadura’’, “controle social’’ (The New York Times) e “sistema ferrenho’’ (Euronews) a medida tomada pelo governo chinês de colocar 40 milhões de pessoas em quarentena, o que se tem mostrado como medida radical eficaz para conter a pandemia. Em verdade, o liberalismo burguês favorece a expansão da pandemia. 

O sexto é que a China não é indiferente aos problemas da Humanidade que estão para além de suas fronteiras. Nesse caso, devido à propagação da pandemia surgida em sua sociedade, enquanto os líderes capitalistas não fazem caso das populações e da dimensão global da crise, a China oferece sua ajuda e experiência aos países mais afetados, como Itália e Irã.

A China Popular, absolutamente estigmatizada quando não completamente desconhecida, mostra ao mundo a essência humanista de seu socialismo próprio e o êxito de seu sistema político.

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