“Viver é melhor que sonhar”: livro resgata a história do autoexílio de Belchior

Em novo livro, jornalistas reconstroem os caminhos do inexplicado "autoexílio" sem volta de Belchior pelo Sul do Brasil. Por Bruno Ribeiro | Revista Opera

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(Foto: Fabio Dutra)

O cantor e compositor Belchior estava prestes a completar 60 anos de idade quando rompeu com o passado e deixou tudo para trás — carreira, patrimônio, família — para empreender, anônimo e sem dinheiro no banco, uma viagem sem volta ao Sul do Brasil.

O caso é bastante conhecido do público, embora continue cercado de mistérios: ao lado de sua namorada, Belchior sumiu do mapa sem dar explicações a ninguém. Em suas andanças, evitou qualquer tipo de contato com a imprensa, com amigos e até mesmo com os filhos. Foi caçado pela Justiça por não pagar as pensões devidas e chegou a dormir em lugares abandonados para escapar da polícia. Percorreu mais de 10 mil km e morou de favor em 15 cidades. Seus paradeiros só foram revelados depois de sua morte, ocorrida no dia 30 de abril de 2017, dez anos após seu exílio voluntário. 

Agora, parte desse mistério começa a ser desvendado por uma reportagem investigativa que será lançada em livro no início de março. Viver é Melhor que Sonhar Os Últimos Caminhos de Belchior (Sonora Editora), de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, é fruto de um trabalho de fôlego que só foi possível graças ao financiamento coletivo. Se a última meta for batida, os autores prometem rodar uma edição em espanhol, visando atingir leitores de países vizinhos, sobretudo do Uruguai, onde Belchior morou por um tempo. 

Embora não dê a resposta que os fãs aguardam até hoje (o que de fato motivou um astro da MPB a abandonar a vida que levara até então?), o livro agrega ao caso uma série de novos elementos que preenchem algumas lacunas deixadas pelo período de reclusão do artista: por onde andou? Onde morou? Quem o ajudou e protegeu? 

Para responder a estas perguntas, Fuscaldo e Bortoloti entrevistaram cerca de 150 pessoas e refizeram o trajeto percorrido pelo cantor ao longo de sua “década perdida”. Algumas entrevistas foram realizadas, segundo a repórter, sob forte impacto emocional. “Chorei bastante falando com a família de Belchior. Foi doloroso constatar que os filhos se ressentem até hoje da forma como ele os abandonou”, diz.

Mesmo assim, a autora condena o modo como a imprensa perseguiu Belchior. “Não concordo com o não pagamento da pensão da ex-mulher e com o fato de deixar a família sem notícias, mas os jornais não poderiam tê-lo tratado como criminoso. Ele era um ser humano como qualquer outro, que comete erros e se mete em enrascadas. Foi triste descobrir que ele sofria com o tratamento dado pela mídia”, revela.

Até hoje não se sabe por que Belchior decidiu meter o pé na estrada, como profetizava em suas canções, e viver no anonimato, longe dos palcos e do público que ele tanto amava. Para Chris Fuscaldo, a teoria mais aceitável é a de que o cantor acabou sendo vítima de uma “cascata de acontecimentos”. Diz ela: “Não acho que ele tenha fugido; acho que pretendia tirar um ano sabático, para repensar a carreira, mas fez tudo de forma atrapalhada e não soube lidar com as consequências dessa escolha.”

A ideia de escrever um road book sobre o “desaparecimento” de Belchior nasceu quando ele ainda estava vivo. Fuscaldo e Bortoloti tinham quase tudo pronto para viajar ao Rio Grande do Sul, na esperança de localizá-lo, quando chegou a notícia de que ele estava morto, vítima de um aneurisma enquanto cochilava ouvindo música clássica. Belchior tinha 70 anos e estava morando num sobrado cedido pelo amigo de um amigo, numa rua pacata de um bairro nobre de Santa Cruz do Sul.

Os autores Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti em San Gregorio de Polanco.

Ao saber da morte do artista, a dupla pensou em cancelar a viagem; porém, o lançamento da biografia de Belchior, escrita por Jotabê Medeiros, deu aos jornalistas a certeza de que deveriam seguir em frente. “Quando vimos que a biografia de Belchior não explorava a fundo o período de reclusão, decidimos investigar e escrever sobre essa fase da vida dele”, conta Fuscaldo. O livro está em pré-venda pelo site Benfeitoria.

Os últimos anos de vida entre freiras e camponeses

Santa Cruz do Sul, cidadezinha de 125 mil habitantes situada a cerca de 150 km de Porto Alegre, foi a última parada de Belchior. Lá ele passou seus últimos quatro anos de vida ao lado da produtora cultural Edna Assunção de Araújo (que se apresentava com o pseudônimo de Edna Prometheu). Graças à discrição dos amigos e conhecidos que abrigaram o casal, Belchior conseguiu manter a mídia e os curiosos afastados durante todo esse tempo. 

Antes de se mudar para a casa de alto padrão em que viria a falecer, Belchior morou por seis meses no Mosteiro Santíssima Trindade, aos pés de uma montanha e blindado do mundo exterior. Comia e dormia de graça. Em troca, tocava violão para entreter as freiras durante o jantar e ajudava na missa, cantando em latim. Em 2013, durante a missa de Natal, Belchior foi reconhecido por um colunista social da cidade, que o fotografou. Porém, a pedido da madre superiora, o jornalista adiou em um mês a publicação da foto — e quando o fez, não mencionou o mosteiro. Uma matéria do jornal O Globo afirmou, mais tarde, que todos os repórteres da Gazeta do Sul, jornal de Santa Cruz do Sul, sabiam do paradeiro do compositor, mas abriram mão de dar o furo de suas vidas em respeito à privacidade do ídolo.

Antes de chegarem ao mosteiro, porém, Belchior e Edna passaram algumas noites num prédio abandonado, sem qualquer conforto e tendo como pertences apenas a roupa do corpo e uma mala com livros e objetos de higiene pessoal. As coisas só começaram a melhorar quando um integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) acolheu o casal na Ecovila Karaguatá, uma comunidade sustentável perdida no meio do mato. 

Belchior colaborava no trabalho da terra, alimentava-se com comida orgânica e quase não saía do quarto, onde passava os dias escrevendo e pintando (estes manuscritos e pinturas nunca foram encontrados). No dia seguinte ao de sua morte, a direção do MPA divulgou uma nota de pesar em que exaltava o papel exercido pelo compositor na resistência à ditadura militar, frisava que ele era considerado “uma das pessoas mais cultas” e citava a solidariedade do artista para com os movimentos sociais: “No Dia Internacional da Memória Camponesa, 30 de abril, historicamente o MPA tem homenageado os camponeses e camponesas que dedicaram suas vidas às lutas populares, que são esquecidos pelo Estado e ignorados pela mídia. Pelo direito à memória dos lutadores e lutadoras camponesas, nesta data também lembraremos de Belchior, de suas canções, de seu modo de vida.”

O livro “Viver é melhor que sonhar – os últimos caminhos de Belchior”.

A breve passagem do compositor pela Ecovila Karaguatá serviu, principalmente, para reacender nele sua antiga relação de amizade com os movimentos sociais ligados ao campo. 

“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”

Antônio Carlos Belchior nasceu em Sobral, no estado do Ceará, em 26 de outubro de 1946. Tornou-se nacionalmente conhecido com o elepê Alucinação, de 1976, considerado pela crítica como um álbum revolucionário e um divisor de águas na história da música brasileira. Suas canções versam sobre liberdade, inconformismo e rebeldia. Quase todas entraram definitivamente no cancioneiro nacional, destacando-se Como Nossos Pais (que mereceu gravação antológica de Elis Regina), Apenas um Rapaz Latinoamericano e A Palo Seco.

Uma das poucas faixas que não fizeram sucesso imediato foi Sujeito de Sorte, que permanecia esquecida até recentemente. A redescoberta da canção pela juventude se deve em parte ao rapper Emicida, que tratou de encaixá-la no show AmarElo (disponível na Netflix). Os versos “tenho sangrado demais/ tenho chorado pra cachorro/ ano passado eu morri/ mas esse ano eu não morro”, que Belchior recriou baseado em poesia do repentista Zé Limeira, caíram na boca do povo em 2020 e despertaram em um público novo o interesse pela obra do compositor cearense. Seu rosto, feito um Che Guevara da MPB, passou a aparecer em toda parte: nos muros, nas camisetas, nas tatuagens.

Belchior é um dos raros exemplos de artista em que vida e obra se confundem. Temas críticos ou irônicos sobre a alienação política e a mercantilização das relações estão presentes em quase todas as suas músicas. Leitor contumaz de Filosofia e História, suas letras trazem a visão de um homem egresso da classe trabalhadora, que vem do interior e é consumido pela realidade dos grandes centros urbanos do Brasil e da América Latina; porém, o aspecto político contido em sua obra ultrapassa a defesa do socialismo enquanto sistema de governo. Antes, o problema que aflige o compositor é existencial: a decadência da civilização.

Suas músicas apontam os inimigos do mundo utópico: os arrivistas, os exploradores, os conformados, os escapistas, os místicos que fazem de suas crenças um subterfúgio para não combater ou não contestar as injustiças do capitalismo. Belchior detestava a vida acomodada, pequeno-burguesa, desprovida de paixões. A crítica ao dinheiro como fetiche e ao trabalho alienado perpassa todo seu cancioneiro. 

Em Não Leve Flores, do álbum Alucinação, há uma passagem bastante ilustrativa do exemplo dado acima: “Tudo poderia ter mudado, sim/ pelo trabalho que fizemos tu e eu/ mas o dinheiro é cruel/ e um vento forte levou os amigos/ para longe das conversas/ dos cafés e dos abrigos/ e nossa esperança de jovens/ não aconteceu…”

Do primeiro ao último disco de sua carreira, Belchior manteve o discurso em defesa de uma vida livre de amarras e opressões. Chamado de “Bob Dylan do Nordeste” pelas semelhanças estéticas de ambos os trabalhos, Belchior foi porta-voz de uma geração que acreditou na transformação do mundo pela arte e pela revolução — e que sucumbiu com o fim da União Soviética e a ascensão do neoliberalismo em escala planetária. O autoexílio, nesse sentido, parecia ser o destino do poeta, o curso natural a ser seguido por um coração selvagem, como muitas de suas “canções de estrada” deixam claro. 

Ao que tudo indica, o “sumiço” de Belchior não foi um protesto pessoal, nem teve qualquer motivação política ou filosófica. Porém, dentro da narrativa simbólica de sua existência, seus últimos dez anos foram coerentes com sua obra. Ainda que prisioneiro de uma situação incontornável causada pelas dívidas com a Justiça, de alguma forma, Belchior morreu como o homem livre que cantava em suas músicas.

Entrevista com Chris Fuscaldo: “Belchior foi tragado por uma cascata de acontecimentos” 

Revista Opera – Belchior estava no auge do ostracismo quando decidiu deixar tudo pra trás e cair no mundo. Você acha que essa atitude poderia ser uma tentativa de chamar a atenção para a sua carreira? E mais: o fato de hoje as músicas de Belchior estarem “na moda” seria reflexo da forma romântica como ele acabou encerrando sua presença na Terra?

Chris Fuscaldo – Não dá para cravar que tenha sido essa a motivação, até porque ele nunca comentou com ninguém e nem deixou nada escrito que pudesse levar a esta conclusão. O reconhecimento que a obra de Belchior passou a ter após a morte dele não é algo incomum no Brasil. Isso aconteceu com muitos outros artistas. Mesmo assim não significa que sua memória esteja preservada. Nos Estados Unidos, por exemplo, há mais de 30 livros publicados sobre Bob Dylan. Por aqui, grandes compositores não têm nada ou quase nada. Sou uma militante da memória musical brasileira, por isso decidi escrever sobre esse período da vida do Belchior.

Revista Opera – O livro, no entanto, não responde a pergunta crucial: por que, afinal, Belchior largou tudo para viver quase como um andarilho? A sua pesquisa possibilitou chegar a uma conclusão sobre o sumiço do cantor?

Chris Fuscaldo – Não gosto de falar “sumiço”, prefiro usar o termo “autoexílio”, pois Belchior nunca sumiu de fato. Sumir é o que fez o José Dirceu na ditadura, quando foi para Cuba e fez uma cirurgia plástica para mudar de rosto. Belchior sequer tirou o bigode, que era a sua marca registrada, e no começo foi visto em vários lugares, tendo inclusive subido no palco durante um show do Tom Zé. A carreira em baixa pode ter sido um dos fatores. Ele não conseguia mais lotar teatros e os convites para shows estavam rareando. Com isso, perdeu o empresário, parou de pagar a pensão da ex-mulher, adquiriu dívidas, teve a conta bancária bloqueada pela Justiça. Acho que a ideia inicial era apenas tirar um ano sabático e repensar a carreira, mas as coisas fugiram do controle. Ele foi tragado por uma cascata de acontecimentos que precipitaram a sua fuga. 

Revista Opera – Muitas pessoas costumam culpar a companheira do Belchior, Edna Assunção, por tudo o que aconteceu, inclusive atribuindo a ela o poder de tomar decisões por Belchior. Como você avalia essas críticas?

Chris Fuscaldo – Considero um julgamento machista contra Edna, pois esse argumento pressupõe que Belchior não tinha capacidade de tomar decisões por conta própria. Edna não é nenhuma heroína, mas também não é a vilã dessa história. Um pouco antes de conhecê-la, em 2005, Belchior propôs à fotógrafa Dulce Helfer, sua ex-namorada, que fugissem juntos. Ela revelou que Belchior queria dar um tempo dos palcos, viajar pelo Brasil e dedicar mais tempo à pintura (ele era artista plástico também). Porém, Dulce não aceitou, disse que seria loucura, porque isso poderia trazer problemas financeiros para ambos. Ou seja, antes da Edna aparecer na vida dele, Belchior já vinha pensando em cair na estrada. Edna foi a pessoa que topou acompanhá-lo nessa aventura. 

Revista Opera – Então de onde vem a ideia de que Edna Assunção era manipuladora e teria impedido Belchior de voltar aos palcos?

Chris Fuscaldo – Essa ideia provavelmente vem do fato de que ela, quando assume o papel de produtora de Belchior, passa a tomar decisões que o cantor não poderia tomar em público. Artistas dependem da imagem, não podem ser antipáticos, têm de estar sempre solícitos. E Belchior, nessa nova fase, não queria muita exposição. Ele não queria ser encontrado. Gente que hospedou o casal diz que Edna não permitia que ele cantasse ou saísse em fotos e que isso a tornava uma pessoa desagradável e grosseira. Mas ela estava apenas cumprindo a função que Belchior deu a ela. Havia um acordo entre os dois: Belchior dizia “sim”, mesmo querendo dizer “não”; então Edna fazia o “serviço sujo” no lugar dele. 

Revista Opera – Mesmo assim, algumas fotos de Belchior, tiradas por pessoas que o hospedaram, vieram a público.

Chris Fuscaldo – Sim. Quando se sentia à vontade e confiava nas pessoas, ele se deixava fotografar. Quando queria cantar, pegava o violão e cantava. Quando se hospedou no Mosteiro da Santíssima Trindade, por exemplo, ele cantava para as freiras. Essa é a prova de que Edna não tinha o poder de impedi-lo de fazer o que queria.

Revista Opera – Por que Belchior escolheu o Sul do Brasil para se isolar?

Chris Fuscaldo – Talvez não tenha sido intencional, embora o Sul seja um ótimo local para se esconder. A princípio foi ao Uruguai, onde tinha amigos. Ele e Edna se hospedam num hotel no município de Artigas, perto da fronteira, onde ficam seis meses e vão embora sem pagar a conta. Com a polícia uruguaia em seu encalço, eles passam a noite ao relento, atravessam a fronteira na manhã seguinte e voltam ao Brasil. Ficam escondidos na casa de um amigo e depois vão de carro até Porto Alegre. Daí em diante tem início a saga do casal, de casa em casa, passando por várias cidades do Rio Grande do Sul, sempre fugindo da polícia e da imprensa. 

Revista Opera – Quantas pessoas foram entrevistadas? Você diz que muitas delas não eram conhecidas de Belchior, mas pessoas aleatórias que o encontravam na rua e o hospedavam por caridade. Como foi possível que elas guardassem segredo até a morte do artista? 

Chris Fuscaldo – Entrevistamos mais de 150 pessoas que estiveram com ele nesses dez anos de andanças. Belchior passou por 15 cidades. Nós fomos a 12 delas e percorremos mais de 10 mil km. Eles não paravam muito tempo na casa de ninguém porque tinham medo de serem descobertos ou porque a relação com os anfitriões se desgastava rapidamente. O fato de as pessoas não terem vazado a informação nas redes sociais e nem entregado seu paradeiro à imprensa — que passou anos procurando por ele — é um sinal de respeito pelo artista. 

Revista Opera – Vocês chegaram a ter acesso a objetos pessoais que Belchior deixou para trás no hotel uruguaio e na casa de algumas pessoas. Que objetos eram esses e o que eles dizem sobre a fuga do artista?

Chris Fuscaldo – Esperávamos encontrar manuscritos, letras inéditas ou mesmo algum bilhete que pudesse responder a grande pergunta sobre o exílio voluntário de Belchior, mas não achamos nada nesse sentido. Tudo o que vimos foi um pijama velho, livros, desenhos e anotações sem importância. Porém, como ele escrevia muito (estava sempre com papel e caneta no bolso), pode ser que tenha produzido algo nesse período. Se produziu, esse material deve ter ficado com Edna e talvez nunca venha a ser conhecido.

Revista Opera – Nos meses iniciais de seu desaparecimento, especulou-se que isto seria um ato político, que Belchior estaria sendo coerente com o que sempre cantou em suas músicas, ou que estaria desencantado com os rumos do País. Você acha que pode haver um fundo de verdade nessas teorias?

Chris Fuscaldo – Continuo achando que o que precipitou seu rompimento com o mundo foi a “cascata de acontecimentos”. As coisas fugiram do controle e ele não conseguiu consertá-las. Mas é inegável que Belchior sempre teve um lado político e filosófico muito forte. Notamos que quase todas as pessoas que abrigaram o cantor eram de esquerda — e isso diz muito mais sobre o artista do que sobre os anfitriões. Até onde apuramos, Belchior não fugiu por desencanto com o governo do PT, como algumas pessoas especularam na época. Pelo contrário, muita gente disse que ele se mostrava indignado com a perseguição contra Dilma e que ficou muito abalado com o golpe de 2016. Ele também se dizia incomodado com o avanço do conservadorismo e comentava que Ciro Gomes — que era seu amigo pessoal — deveria se unir a Lula e formar uma grande frente em defesa da democracia. Ele não se alienou, estava consciente e atento ao noticiário, mas não é possível afirmar que seu desaparecimento tenha tido motivações políticas.